“Não se trata de se, mas quando”
Essa afirmação foi feita pelo vice-presidente de planejamento estratégico da BP. Uma reportagem do Wall Street Journal de 27/11 mostra como as empresas de petróleo e gás – as grandes empresas do setor: Exxon Mobil, China Petroleum, BP, Shell – já estão considerando que o pico de consumo do petróleo será antecipado em função das políticas econômicas associadas às mudanças climáticas, principalmente precificação de carbono e o avanço das renováveis. Talvez aconteça em até dez anos. O que isso significa? Que a demanda por petróleo vai cair. Em conversas com seus investidores, essas gigantes do setor já avisam que esse é um negócio em transição. Isso me lembra uma frase de Victor Hugo no livro “História de um crime”, que traduzida livremente diz mais ou menos assim: “podemos nos proteger de exércitos, mas não podemos nos proteger de uma ideia cujo tempo chegou”. Sem dúvida, o avanço rumo à uma energia de baixo carbono é uma ideia cujo tempo chegou. Carrega consigo alto grau de inovação porque o avanço das energias renováveis demanda três principais tipos de inovações: tecnológicas, de políticas públicas e de estruturas para financiamento. Em um estudo que coordenei pelo GVces e que foi publicado hoje (e discutido em um seminário na FGV com especialistas), mapeamos os avanços e barreiras das energias renováveis na AL, em particular no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. São países com características energéticas próprias – por exemplo, o potencial avanço de renováveis no Chile será por meio de energia por fonte geotérmica, enquanto no Brasil faz mais sentido a solar e eólica – mas com alguns desafios parecidos. Talvez os dois principais desafios similares sejam os processos muito longos e burocráticos para se obter as autorizações e licenças para projetos de infraestrutura. Processos longos, excessivamente burocráticos aumentam os custos de transação e deixam os investidores menos propensos a investir e arriscar. Outro desafio comum é a dificuldade de se obter financiamento de longo prazo para infraestrutura no geral, havendo grande dependência de recursos do governo e de organismos multilaterais. Sem dúvida, um mercado de capitais mais desenvolvido poderia contribuir para que arranjos financeiros inovadores e recursos de longo prazo beneficiassem esses projetos de energias renováveis. Para saber mais: http://www.wsj.com/articles/oil-industry-anticipates-day-of-reckoning-1480248012?mod=e2tw http://gvces.com.br/panorama-de-energias-renovaveis-setor-industrial-e-america-latina?locale=pt-br
O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE): carteira de 2017
Hoje a BM&FBOVESPA anunciou a carteira do ISE 2017. A carteira será válida de 02 de janeiro de 2017 a 05 de janeiro de 2018. Segundo a BM&FBOVESPA “A nova carteira reúne 38 ações de 34 companhias. Ela representa 15 setores e soma R$ 1,31 trilhão em valor de mercado, o equivalente a 52,14% do total do valor das companhias com ações negociadas na BM&FBOVESPA, com base no fechamento de 22/11/2016 (no ano anterior, somava R$ 1,15 trilhão em valor de mercado, o equivalente a 45,68% do total). ” O ISE é o representante brasileiro do mercado internacional ligado ao Socially Responsible Investments (SRI em inglês). A carteira de 2017 está bem parecida com a de 2016. Saíram Cesp, Even e Oi (em processo de recuperação judicial) e entrou a Celesc. Para saber mais sobre o estado atual do investimento responsável, leia aqui. Mas… o desempenho do ISE é superior ao IBOVESPA? Segundo a BM&FBOVESPA, a rentabilidade do ISE foi superior ao benchmark (IBOVESPA) e a volatilidade (medida de risco) foi menor: “Desde a sua criação, em 2005, o ISE apresentou rentabilidade de +145,36% contra +94,11% do Ibovespa (Base de fechamento em 22/11/2016). No mesmo período, o ISE teve ainda menor volatilidade: 25,25% em relação a 28,05% do Ibovespa.” A academia, entretanto, tem muitas dúvidas sobre se há relação de causalidade entre desempenho em sustentabilidade e desempenho econômico-financeiro. Isso será tratado em posts futuros. Mas um artigo publicado na Revista Gestão & Regionalidade (2016), analisa se os retornos das ações consideradas sustentáveis são superiores aos das demais ações. Para tanto, os autores analisaram o desempenho das ações ao longo dos dez anos do ISE (de 2005 a 2015), comparando seu desempenho com as ações do Ibovespa, excluindo-se do Ibovespa as empresas que compõem o ISE (Ibovespa menos ISE, já que muitas empresas que estão no Ibovespa estão também no ISE). As análises consideraram testes paramétricos para comparação de médias. A análise foi feita em duas etapas. Na primeira, foram analisados os retornos mensais dos dois grupos (ISE e Ibovespa – ISE); na segunda, foram simuladas carteiras aleatórias de ações de sustentabilidade e “não sustentabilidade” (foram feitas 1.000 simulações aleatórias). O interessante é que os resultados não mostram superioridade de retorno estatisticamente significativa para o ISE, quando analisados os dados mensais ao longo de dez anos. Entretanto, quando os autores testaram o retorno da carteira por períodos superiores a um ano, o desempenho das ações “sustentáveis” foi superior ao das empresas “não sustentáveis”, apontando para um sinal de que no longo prazo sustentabilidade dá retorno. Esse resultado é consistente com outros estudos realizados em mercados fora do Brasil. Para saber mais: http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/noticias/bm-fbovespa-divulga-a-12-carteira-do-ise.htm http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_gestao/article/view/3254
O estado atual do investimento responsável
Estratégias de investimento responsável vêm crescendo nos mercados de capitais nos EUA e na Europa. Ao final de 2015, o montante alocado em investimentos SRI nos EUA foi de US$ 8,72 trilhões e na Europa, de €11,0 trilhões. Em ambos os casos, houve crescimento em relação às edições anteriores do estudo (com dados de 2013). Nos EUA chama a atenção à importância dada a critérios sociais (não envolvimento com investimentos em ativos em áreas em conflito) e mudanças climáticas. Na Europa, chama a atenção o crescimento material em investimentos de impacto e temáticos em sustentabilidade, como energias renováveis, eficiência energética, gestão hídrica e prédios sustentáveis. Estados Unidos O US SIF – The Forum for Sustainable Development publicou o seu relatório de 2016 (11ª edição) sobre o estado atual do investimento responsável nos Estados Unidos, os chamados SRIs Sustainable, Responsible and Impact investments (antes eram conhecidos por Socially Responsible Investments). O total dos ativos sob gestão ligados aos SRI nos Estados Unidos no começo de 2016 atingiu US$ 8,72 trilhões versus US$ 6,57 trilhões no começo de 2014, um crescimento de 33%. Os investidores SRI representam 22% do total de Assets Under Management (AUM) nos Estados Unidos. Segundo o relatório, o aumento dessa classe de ativos se deu por haver crescido a penetração de ativos ligados ao mundo SRI; por serem oferecidos novos produtos que incluem análises ESG (Environmental, Social and Governance); e por ter crescido o número de analistas que adotam critérios ESG em suas análises, alinhados aos princípios do PRI. O relatório traz alguns pontos interessantes: Incorporação de aspectos ESG para gestores de recursos (money managers e veículos de investimento): 85% dos respondentes disseram que incorporam ESG em suas análises a pedido do cliente (em especial os investidores institucionais). Incorporação de aspectos ESG para investidores institucionais: “Climate change remains the most significant overall environmental factor in terms of assets, affecting $1.42 trillion in money manager assets and $2.15 trillion in institutional investor assets— more than three times the amounts affected in 2014. Fossil fuel restrictions or divestment policies applied to $152 billion in money manager assets and $144 billion in institutional investor assets at the beginning of 2016.” Relatório US SIF, p. 16 O estudo europeu A comparação entre os estudos americano e europeu é um pouco prejudicada pelo fato de que os objetivos dos dois estudos são um pouco distintos. O estudo americano se concentrou em entender quais os critérios ESG preferidos pelos gestores e investidores (se ambiental, social, governança e, dentro desses, quais os preferidos). Já o estudo europeu buscou entender quais os critérios são preferidos pelos analistas: O total de recursos que são classificados como SRI na Europa ao final de 2015 foi de €11,0 trilhões. De acordo com a Eurosif, o principal driver de investimentos SRI na Europa foi o critério de exclusão, adotado a um total de €10 trilhões de investimentos. O driver menos adotado foi o investimento de impacto. Entretanto, enquanto o critério de exclusão obteve um crescimento de 22% em relação à pesquisa de 2013 (edição anterior), o investimento de impacto cresceu substancialmente (120%), mostrando que essa é uma estratégia de investimento SRI que talvez ganhe mais espaço nos próximos anos. Cabe destacar também que os investimentos temáticos em sustentabilidade experimentaram um crescimento de 57% em relação aos números de 2013, embora tenham sido aplicados a €145,2 bilhões em investimentos. Nos chamados investimentos temáticos tiveram destaque os investimentos em construções sustentáveis (23,72%), energias renováveis (19,68%), gestão de recursos hídricos (13,3%) e eficiência energética (10,66%). Figura 1. Estratégias de investimento SRI na Europa. (p. 12 do relatório Eurosif, 2016) Para saber mais: http://www.ussif.org/files/SIF_Trends_16_Executive_Summary.pdf http://www.eurosif.org/wp-content/uploads/2016/11/SRI-study-2016-LR-.pdf
Living Planet Report, 2016: o relatório que todo gestor de sustentabilidade deveria ler.
É sempre bom lembrar: as discussões sobre sustentabilidade não são uma nova moda, o assunto do momento. Elas surgiram e ganharam força porque os limites ecológicos que asseguram a estabilidade das condições que permitem a vida humana estão sendo ultrapassados. Empresas financeiras e não financeiras impactam e são impactadas pelo estado atual dos ecossistemas. As atividades econômicas afetam esses limites ecológicos e são afetadas por eles. A insustentabilidade representa um importante risco para a atividade econômica. A cada dois anos, o WWF, a Global Footprint Network e the Zoological Society of London publicam um relatório chamado “Living Planet Report” (LPR) que acompanha as mudanças na biodiversidade. O prefácio da edição de outubro de 2016 foi assinado por Johan Rockström, diretor executivo do Stockholm Resilience Center, um centro de pesquisa associado à Universidade de Estocolmo e um dos mais importantes pesquisadores sobre resiliência dos ecossistemas. O LPR mede o estado da biodiversidade baseado no monitoramento de 14.152 populações, avaliando as mudanças na abundância dessas populações ao longo do tempo, desde 1970. O LPR é como se fosse um índice de ações, em que se monitora variações no índice ao longo do tempo; a edição publicada em outubro de 2016 analisa os dados de 1970 a 2012. São 3.706 espécies de vertebrados monitoradas (mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis), em ecossistemas terrestres e aquáticos. Desde 1970 a 2012, o LPR declinou 58%, o que significa que o tamanho das populações monitoradas diminuiu consideravelmente. Essa queda no número de populações foi causada por: (i) modificações nos ambientes em que as espécies vivem causadas, por exemplo, pela agricultura insustentável, por mudança no uso do solo, pela produção de energia e mineração; (ii) superexploração de espécies, como por exemplo, caça, colheita, pesca excessiva; (iii) poluição, tornando o ambiente inadequado para a vida de determinadas espécies; (iv) espécies invasivas e que podem se tornar predadores de espécies nativas; (v) as mudanças climáticas. Figura 1: O índice LPR 2016 (página 19 do LPR, 2016) O índice terrestre – que monitora a abundância das espécies terrestres – caiu 38%, enquanto que o índice aquático – que acompanha as espécies que vivem em lagos, rios e pântanos – caiu 81%. Os ecossistemas aquáticos sofrem a influência de alterações em suas bacias hidrográficas, construções de barragens, poluição, espécies invasivas, aumento no consumo de água. E por serem ecossistemas complexos, que em geral estão sob responsabilidade de mais de uma jurisdição (imagine um rio que corta mais de um município), a ação conjunta em prol de sua conservação é mais difícil. Assim, as espécies que vivem em ecossistemas aquáticos estão em pior situação que aquelas que vivem em ecossistemas terrestres. Figura 2: O índice LPR 2016 Terrestre (página 22 do LPR, 2016) Figura 3: O índice LPR 2016 Aquático (página 30 do LPR, 2016) Os resultados do LPR de 2016 são uma triste notícia. E não somente por razões éticas, ligadas ao direito de existência de outras espécies que não a humana. Mas também porque a vida humana depende de ecossistemas diversos (da diversidade biológica). Somos dependentes dos serviços prestados pelos ecossistemas para que tenhamos alimentos, condições climáticas adequadas à vida humana e controle de pestes e doenças. A destruição de habitats e perda de espécies são sinais de risco também para a nossa prosperidade humana. Perdas substanciais da qualidade dos ecossistemas comprometem a continuidade das espécies que ali vivem e da atividade econômica. Um exemplo é a água; acesso e disponibilidade de água são fundamentais para a vida doméstica, para a agricultura e indústria. Segundo o LPR 2016, de acordo com as Nações Unidas (FAO, Food and Agriculture Organization of the United Nations), em 2014 50 países (de 174) sofreram stress hídrico (consumo de água de menos de 1.700 m3 por habitante) ou escassez hídrica (consumo de água de menos de 1.000 m3 por habitante), como resultado de aumento populacional e mudança nos padrões de consumo. Em 1992, essa situação afetava 30 países. Figura 4: Stress hídrico e escassez hídrica (página 54 do LPR, 2016) Os achados do LPR deveriam estar no radar de empresas financeiras e não financeiras e ser leitura obrigatória para todos gestores de sustentabilidade. As empresas deveriam considerar em suas estratégias de sustentabilidade o impacto direto e indireto que têm sobre a saúde dos ecossistemas. Para saber mais: http://awsassets.panda.org/downloads/lpr_living_planet_report_2016.pdf http://www.economist.com/node/18744401
Canalizando recursos financeiros para a economia de baixo carbono: COP 22
Um dos principais desafios da transição para uma economia de baixo carbono é canalizar recursos financeiros para os projetos de investimento que entreguem baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE). E considerando o enorme desafio de contermos o aquecimento global em 2 graus Celsius, o engajamento das finanças é fundamental. “There remains the hard reality that current measures in place are simply inadequate to hold global warming to below 2°C and ideally to just 1.5°C above pre-industrial levels. According to UN Environment, today’s commitments will reduce emissions by no more than a third of the levels required by 2030, risking warming of up to 3.4°C.” Nick Robins, The Huffington Post Esse foi um dos temas principais da COP21 em Paris e voltou à baila na COP22 em Marraquexe. Esse desafio é ainda maior para os países em desenvolvimento, que ainda precisam avançar em seu processo de industrialização e possuem desafios enormes de financiar o avanço de sua infraestrutura. O desafio do financiamento da infraestrutura já seria grande por si só, mas avançar na construção de uma infraestrutura sustentável – que, por exemplo, agregue menos emissões de gases de efeito estufa aos produtos brasileiros – impõe um desafio adicional. Mas as oportunidades também existem: o Departamento para Negócios, Energia e Estratégia Industrial do Reino Unido publicou em Outubro de 2016 um roadmap para mobilizar US$ 100 bilhões de dólares por ano para financiar projetos que reduzem emissões de GEE em países em desenvolvimento [https://www.gov.uk/government/publications/climate-finance-roadmap-to-us100-billion]. É uma oportunidade para projetos no Brasil! Os sistemas financeiros internacionalmente e aqui no Brasil já vêm avançando nessa agenda. Dois dos principais desafios são: (i) canalizar recursos de ativos intensos em carbono para aqueles com menor intensidade carbônica; e (ii) migrar de ativos vulneráveis climaticamente para ativos mais resilientes. Os mercados de crédito, investimentos e seguros têm avançado, em diferentes velocidades, em torno dessa agenda. Esse artigo do Nick Robins, diretor do programa Inquiry for the Design of a Sustainable Financial System da UNEP, para o Huffington Post resume muito bem o status dessa discussão na COP22 em Marraquexe. Trabalhamos com a Inquiry e é uma das mais importantes fontes de consulta sobre o avanço da sustentabilidade nos mercados financeiros globais. “Finance is a key lever to close this gap – and one of the significant innovations of the Paris Agreement was to introduce a new international objective of ‘making financial flows consistent with low-greenhouse gas emissions and climate-resilient development.’ This means rethinking how the US$300 trillion of assets within the global financial system can now generate value within a limited carbon budget and an increasingly disrupted ecosystem.”Nick Robins, The Huffington Post Vale a leitura! http://www.huffingtonpost.com/nick-robins/moving-the-money-in-marra_b_12
Títulos Verdes – Green Bonds
Um tema que vem ganhando bastante importância na comunidade SRI (Socially Responsible Investment) é o crescimento do mercado de títulos de renda fixa com adicionalidades socioambientais, os chamados Green Bonds. De fato, esse é um mercado em ascensão: US$ 65 bilhões em emissões (no começo de novembro de 2016), um crescimento de 55% sobre os montantes emitidos em 2015 (US$ 42,2 bilhões) e quase 80% quando comparado com as emissões de 2014 (US$ 36,5 bilhões). Apesar de ser ainda um mercado de nicho – representa cerca de 1% do mercado de renda fixa global – os Green Bonds representam uma classe de ativos em crescimento. E isso não é pouca coisa. Mas o que são Green Bonds (GB)? Um título de dívida tradicional é um instrumento de renda fixa, no qual o emissor do título capta um montante fixo de recursos financeiros de investidores durante um período de tempo previamente definido, restituindo o capital ao investidor na maturidade do título, e remunerando com pagamento de juros (cupons) ao longo do período. A principal diferença entre os títulos tradicionais e os títulos “verdes”, chamados Green Bonds (GB), é o destino dos recursos captados. Os títulos podem ser emitidos por governos, bancos, instituições supranacionais e corporações públicas e privadas, e as condições de remuneração e características são definidas no processo de emissão. Na emissão de GB, o emissor capta recursos para financiar exclusivamente projetos sustentáveis, tais como energia renovável, eficiência energética, gestão sustentável de resíduos, transporte de baixo carbono, projetos florestais etc. Os títulos também podem ser usados para financiar projetos com benefício social, como a melhoria da saúde e dos serviços sociais. E por que os investidores se interessam por Green Bonds? Principalmente por duas razões. A primeira é que os GB oferecem aos investidores a possibilidade de diversificação de sua carteira de seus investimentos, acessando projetos rentáveis com adicionalidades socioambientais e maior transparência na aplicação dos recursos financeiros. A segunda razão, são títulos que atendem aos mandatos dos investidores alinhados ao conceito de Socially Responsible Investment (SRI). Diversos investidores seguem a orientação SRI e limitam a composição de sua carteira a investimentos que consideram impactos socioambientais. Mas o retorno de um GB é melhor que o retorno de um título tradicional? Esse é um amplo debate no campo das finanças sustentáveis: se há causalidade entre sustentabilidade e retorno financeiro. Vamos deixar esse debate para outros posts. Mas, para sanar a dúvida ligada a GB: as evidências internacionais não apontam para um desempenho superior dos GB em relação aos títulos tradicionais. Seus ganhos estão associados ao fato de que os GB têm seus recursos direcionados para projetos específicos, carimbados, o que muitas vezes é percebido pelos investidores como sendo um aspecto redutor de risco. Também, GB oferecem aos investidores e empresas ganhos reputacionais de estarem associados a projetos SRI. E como já dito anteriormente, funcionam como alternativas interessantes do ponto de vista do retorno ajustado ao risco para se fazer a gestão de risco do portfolio de investimentos. Esse é um mercado crescente no mundo todo. Por tudo isso, ainda vamos ouvir falar mundo de GB. Para saber mais: No nosso estudo (GVces) em parceria com a FEBRABAN, publicado em 2015, explicamos o que é o mercado internacional e fizemos uma boa discussão sobre o potencial mercado brasileiro de GB. http://gvces.com.br/green-bonds?locale=pt-br
Bem-vinda (o)!
Esse blog foi criado para disseminar as pesquisas recentes no tema das finanças sustentáveis. A transição para a sustentabilidade vem avançando na última década e as finanças fazem parte desse movimento. Aqui tratamos de finanças amplo senso: da ciência que ajuda as empresas e o setor financeiro a fazer a alocação mais eficiente de recursos. Trataremos tanto das finanças corporativas, como da economia financeira. Serão posts ligados às publicações mais recentes sobre o tema (científicas ou não), minhas ou não, que contribuam para a compreensão dos dilemas e oportunidades existentes na aproximação entre finanças e sustentabilidade. Entre, sente e fique à vontade!