O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE): carteira de 2017

Hoje a BM&FBOVESPA anunciou a carteira do ISE 2017. A carteira será válida de 02 de janeiro de 2017 a 05 de janeiro de 2018. Segundo a BM&FBOVESPA

“A nova carteira reúne 38 ações de 34 companhias. Ela representa 15 setores e soma R$ 1,31 trilhão em valor de mercado, o equivalente a 52,14% do total do valor das companhias com ações negociadas na BM&FBOVESPA, com base no fechamento de 22/11/2016 (no ano anterior, somava R$ 1,15 trilhão em valor de mercado, o equivalente a 45,68% do total). ”

O ISE é o representante brasileiro do mercado internacional ligado ao Socially Responsible Investments (SRI em inglês). A carteira de 2017 está bem parecida com a de 2016. Saíram Cesp, Even e Oi (em processo de recuperação judicial) e entrou a Celesc.

Para saber mais sobre o estado atual do investimento responsável, leia aqui.

Mas… o desempenho do ISE é superior ao IBOVESPA?

Segundo a BM&FBOVESPA, a rentabilidade do ISE foi superior ao benchmark (IBOVESPA) e a volatilidade (medida de risco) foi menor:

“Desde a sua criação, em 2005, o ISE apresentou rentabilidade de +145,36% contra +94,11% do Ibovespa (Base de fechamento em 22/11/2016). No mesmo período, o ISE teve ainda menor volatilidade: 25,25% em relação a 28,05% do Ibovespa.”

A academia, entretanto, tem muitas dúvidas sobre se há relação de causalidade entre desempenho em sustentabilidade e desempenho econômico-financeiro. Isso será tratado em posts futuros. Mas um artigo publicado na Revista Gestão & Regionalidade (2016), analisa se os retornos das ações consideradas sustentáveis são superiores aos das demais ações. Para tanto, os autores analisaram o desempenho das ações ao longo dos dez anos do ISE (de 2005 a 2015), comparando seu desempenho com as ações do Ibovespa, excluindo-se do Ibovespa as empresas que compõem o ISE (Ibovespa menos ISE, já que muitas empresas que estão no Ibovespa estão também no ISE). As análises consideraram testes paramétricos para comparação de médias. A análise foi feita em duas etapas. Na primeira, foram analisados os retornos mensais dos dois grupos (ISE e Ibovespa – ISE); na segunda, foram simuladas carteiras aleatórias de ações de sustentabilidade e “não sustentabilidade” (foram feitas 1.000 simulações aleatórias).

O interessante é que os resultados não mostram superioridade de retorno estatisticamente significativa para o ISE, quando analisados os dados mensais ao longo de dez anos. Entretanto, quando os autores testaram o retorno da carteira por períodos superiores a um ano, o desempenho das ações “sustentáveis” foi superior ao das empresas “não sustentáveis”, apontando para um sinal de que no longo prazo sustentabilidade dá retorno.

Esse resultado é consistente com outros estudos realizados em mercados fora do Brasil.

Para saber mais:

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/noticias/bm-fbovespa-divulga-a-12-carteira-do-ise.htm

http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_gestao/article/view/3254