Um dos principais desafios da transição para uma economia de baixo carbono é canalizar recursos financeiros para os projetos de investimento que entreguem baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE). E considerando o enorme desafio de contermos o aquecimento global em 2 graus Celsius, o engajamento das finanças é fundamental.
“There remains the hard reality that current measures in place are simply inadequate to hold global warming to below 2°C and ideally to just 1.5°C above pre-industrial levels. According to UN Environment, today’s commitments will reduce emissions by no more than a third of the levels required by 2030, risking warming of up to 3.4°C.” Nick Robins, The Huffington Post
Esse foi um dos temas principais da COP21 em Paris e voltou à baila na COP22 em Marraquexe. Esse desafio é ainda maior para os países em desenvolvimento, que ainda precisam avançar em seu processo de industrialização e possuem desafios enormes de financiar o avanço de sua infraestrutura. O desafio do financiamento da infraestrutura já seria grande por si só, mas avançar na construção de uma infraestrutura sustentável – que, por exemplo, agregue menos emissões de gases de efeito estufa aos produtos brasileiros – impõe um desafio adicional. Mas as oportunidades também existem: o Departamento para Negócios, Energia e Estratégia Industrial do Reino Unido publicou em Outubro de 2016 um roadmap para mobilizar US$ 100 bilhões de dólares por ano para financiar projetos que reduzem emissões de GEE em países em desenvolvimento [https://www.gov.uk/government/publications/climate-finance-roadmap-to-us100-billion]. É uma oportunidade para projetos no Brasil!
Os sistemas financeiros internacionalmente e aqui no Brasil já vêm avançando nessa agenda. Dois dos principais desafios são: (i) canalizar recursos de ativos intensos em carbono para aqueles com menor intensidade carbônica; e (ii) migrar de ativos vulneráveis climaticamente para ativos mais resilientes. Os mercados de crédito, investimentos e seguros têm avançado, em diferentes velocidades, em torno dessa agenda.
Esse artigo do Nick Robins, diretor do programa Inquiry for the Design of a Sustainable Financial System da UNEP, para o Huffington Post resume muito bem o status dessa discussão na COP22 em Marraquexe. Trabalhamos com a Inquiry e é uma das mais importantes fontes de consulta sobre o avanço da sustentabilidade nos mercados financeiros globais.
“Finance is a key lever to close this gap – and one of the significant innovations of the Paris Agreement was to introduce a new international objective of ‘making financial flows consistent with low-greenhouse gas emissions and climate-resilient development.’ This means rethinking how the US$300 trillion of assets within the global financial system can now generate value within a limited carbon budget and an increasingly disrupted ecosystem.”Nick Robins, The Huffington Post
Vale a leitura!
http://www.huffingtonpost.com/nick-robins/moving-the-money-in-marra_b_12