(Vídeo) Código Florestal: um bate-papo sobre a contribuição do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
A Agroícone, empresa especializada em análises econômicas e espaciais voltadas ao agronegócio, fez uma série de vídeos muito interessantes com especialistas de diversas áreas sobre a importância do Novo Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012). Eu recomendo muito assisti-los! A minha contribuição foi discutir como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode levar ao aumento do fluxo de recursos financeiros para o agronegócio. Obrigada pelo convite, Agroícone!
(Vídeo) Um bate-papo descomplicado sobre sustentabilidade na gestão empresarial
Conversar sobre sustentabilidade é sempre um prazer. Eu me encontrei com a equipe da Setting para uma conversa descomplicada sobre sustentabilidade na gestão empresarial. Agradeço à equipe da Setting pela oportunidade de papear sobre um tema tão importante para mim!
Os conservadores não acreditam em mudanças climáticas? (Post 2 de 2)
Uma proposta conservadora americana para lidar com a mudança do clima. No meio da confusão entre liberais e conservadores americanos e na polarização política atual que se pode observar globalmente, temos de tudo um pouco. Há os céticos, os que acham que mudanças do clima são bobagens, aqueles que acham que pode ter alguma verdade nisso, mas que mudanças devem ser pensadas com calma e aqueles que acreditam que já chegou o tempo de agir politicamente. No meio dessa confusão com diferentes visões técnicas, ideológicas, econômicas, políticas e até culturais, uma proposta interessante e provocadora a favor de ação voltada às mudanças do clima foi lançada em fevereiro de 2017 por um grupo de Republicanos proeminentes. O grupo que se intitulou “Climate Leadership Council” inclui James A. Baker III e George P. Shultz, dois ex-secretários de estado (Baker, do Bush pai e Reagan; Shultz, Reagan e Nixon); dois ex-presidentes do Conselho Econômico, Martin S. Feldstein e N. Gregory Mankiw (Feldstein é professor de Harvard e Mankiw, bem é o Mankiw! Harvard também, para quem não o conhece); e o ex-Secretário do Tesouro, Henry Paulson (Bush filho). A turma é boa. A proposta deles é de criar uma tributação sobre carbono, colocando um preço sobre a poluição (nesse caso, emissões de GEE), e assim levar à mudança dos agentes econômicos no sentido de reduzir emissões porque passa a fazer sentido econômico. Essa discussão não é nem um pouco nova: a discussão sobre se a melhor abordagem para lidar com emissões de GEE é via comando-e-controle ou incentivos econômicos, e dentre os incentivos econômicos, se via tributação ou mercado, é já antiga. A inovação da proposta está em sua simplicidade e sobre o destino dos recursos arrecadados. Nesse caso, de ser revenue neutral. A proposta do grupo é de tributar US$40 por tonelada de emissões de dióxido de carbono e aumentar gradativamente o valor ao longo dos anos. Essa tributação seria realizada no primeiro ponto de emissões de GEE: nas refinarias de petróleo ou no porto (importação de combustíveis fósseis). Isso mudaria o sinal de preços na economia. Os recursos oriundos dessa tributação seriam geridos pelo Social Security Administration, que é o órgão do governo que administra os benefícios sociais. Esse órgão destinaria os recursos da tributação de carbono às famílias americanas, por meio do número de seguridade social (social security) de maneira a contribuir para os fundos de aposentadoria – assim, os recursos arrecadados com a tributação seriam chamados de dividendos de carbono. A redistribuição dos recursos para as famílias visa: (i) evitar que esses recursos se percam na grande máquina governamental; (ii) evitar que uma tributação regressiva prejudique os mais pobres; (iii) e evitar externalidades econômicas. O plano envolve também fazer ajustes nas importações e exportações, o chamado border adjustments: os objetivos são não prejudicar a competitividade dos produtos americanos, penalizar as nações que não estiverem implantando ações de tributação de carbono e também incentivar aquelas com intensa atividade comercial com os Estados Unidos a adotarem políticas de tributação de carbono. Exportações americanas para países sem um sistema de precificação de carbono receberiam o desconto do tributo e importações desses países seriam tributadas pelo carbon tax. Uma etapa do plano proposto é eliminar as regulações de comando-e-controle que agiriam em duplicidade com a proposta do carbon tax, principalmente aquelas sob gestão da EPA em especial. Como essa proposta foi recebida? No geral, muito bem. Washington Post, New York Times, Financial Times, USA Today, Bloomberg, entre outros. A revista Nature fez uma reportagem elogiando a proposta: “A group of senior US Republicans has proposed an entirely sensible climate policy: put a substantial and steadily rising tax on carbon, and then send the proceeds back to citizens to offset the economic pain of higher energy prices.” (Nature) As análises convergem para a opinião que o maior problema dessa proposta é político: trata-se de uma proposta difícil de ser aprovada pelo Congresso em função do lobby dos gigantes de energia. Como discuti nesse post, é possível que diante da realidade das mudanças climáticas e do movimento internacional de precificação de carbono, a indústria de energia prefira soluções regulatórias ligadas a instrumentos econômicos (tributos e mercados) a comando-e-controle. E talvez a aprovação de um plano como o proposto por esse grupo de Republicanos seja possível. Vem ganhando momentum a discussão sobre colocar um preço sobre o carbono. Segundo o relatório de 2016 do Banco Mundial que acompanha o estado do mundo quanto à precificação de carbono, há no mundo hoje 40 países (nível nacional) e mais de 20 cidades, estados e regiões (nível subnacional) que já colocam preço no carbono. São exemplos dos países que têm tributos sobre carbono a Suíça, Suécia, Finlândia, Dinamarca, França, Portugal, México, entre outros; e exemplos de mercados de carbono incluem Austrália, Nova Zelândia, China, Coréia, Canadá. O GVces vem estudando esse tema há bastante tempo e há diversas publicações nossas sobre o assunto. Em particular, há duas publicações desenvolvidas em parceria com Ministério da Fazenda sobre a incorporação de critérios de sustentabilidade no sistema tributário brasileiro (http://www.gvces.com.br/perspectivas-para-adocao-de-instrumentos-economicos-no-ambito-da-politica-nacional-sobre-mudanca-do-clima/?locale=pt-br). Desenvolvemos uma simulação de comércio de emissões em que as empresas participantes podem conhecer melhor como seria um mercado de emissões (http://www.gvces.com.br/sistema-de-comercio-de-emissoes). Há também um documento que discute diretrizes empresariais para precificação interna de carbono (http://www.empresaspeloclima.com.br/diretrizes-empresariais-para-precificacao-interna-de-carbono?locale=pt-br). Para saber mais: http://gvces.com.br/politica-e-economia-ambiental?locale=pt-br http://www.nature.com/news/us-republican-idea-for-tax-on-carbon-makes-climate-sense-1.21477 https://openknowledge.worldbank.org/bitstream/handle/10986/25160/9781464810015.pdf?sequence=7&isAllowed=y Notas: Os termos liberais e conservadores nesse post referem-se a como são utilizados no sistema político americano. Democratas são os liberais (do ponto de vista social) e os Republicanos os conservadores (do ponto de vista social também). Agradeço ao Thomas Felsberg pela leitura crítica e contribuições para esse texto.
Os conservadores não acreditam em mudanças climáticas? (Post 1 de 2)
Há um intenso debate nos fóruns ligados à sustentabilidade, pós eleição do Trump, sobre o que seria das políticas climáticas da administração Obama (democrata). Em um post aqui eu falei um pouco sobre isso. Os conservadores, representados pelo partido Republicano, não acreditam em mudanças climáticas? Bem, não sei se é assim. Naturalmente, nos dois partidos há céticos e crentes no fato de que as altas concentrações de gases de efeito estufa (GEE) estejam levando e possam levar cada vez mais a alterações climáticas importantes. Os céticos estão mais bem acomodados entre republicanos que democratas, já que a agenda do clima tende a ser mais presente na “esquerda” que na “direita”. O que certamente difere um grupo do outro são dois aspectos: (i) qual o papel do estado na intervenção sobre a economia para alterar o rumo das mudanças climáticas; (ii) qual o papel de “intervenção” da comunidade internacional nas discussões sobre políticas domésticas para conter a mudança do clima. Nesses dois aspectos, democratas e republicanos (falando apenas daqueles que não são céticos) diferem fortemente. Simplificações e generalizações são perigosas, mas para uma visão geral da questão, não me resta outra saída. Uma visão diferente sobre o protagonismo do estado Democratas (liberais), em geral, acreditam que o governo federal tem um papel mais forte a desempenhar como orquestrador de políticas públicas, incluindo as climáticas. Republicanos (conservadores) acreditam em um estado menor, com menor papel do governo federal (incluindo aí agências reguladoras) e maior papel regulador para os estados e para iniciativas de autorregulação. Há descontentamento por parte dos Republicanos quanto à decisão de políticas climáticas ficarem “fortes” na mão das ordens executivas (a nossa medida provisória – solução que depende da caneta do presidente) e das agências reguladoras federais, como a Environmental Protection Agency – EPA. Cabe aqui ressaltar também que parte do movimento conservador considera que a imprecisão da ciência climática seria mais uma razão para evitar “dar um cheque em branco” ao governo federal para que tome decisões – que terão grandes impactos econômicos – quanto à redução de emissões de GEE. Há também conservadores que, assim como democratas, acreditam que mesmo com uma ciência imprecisa, há indícios suficientes de que o problema das mudanças climáticas seja real e demanda ação já – o chamado “princípio da precaução”, ou em termos econômicos, um seguro caso aspectos ligados a mudanças climáticas sejam comprovados com menor grau de incerteza pela comunidade científica. Mas que essa ação seja orquestrada pelos níveis sub federais e com maior presença do mercado, ao invés de políticas de comando-e-controle centralizadas no governo federal. Globalismo e Globalização Outro fator de discordância é quanto ao papel que a comunidade internacional deve ter na definição de políticas domésticas. Ou posto de outra forma, o quanto a comunidade internacional deve influenciar as políticas domésticas. Esse, aliás, é um tema muito caro aos conservadores de maneira geral, não apenas os americanos: o chamado globalismo. Globalismo e globalização são conceitos interligados, mas um pouco diferentes. Globalismo, conceito recente nas ciências sociais, refere-se ao processo de aprofundamento da internacionalização, fortalecendo dimensões funcionais (redes) e enfraquecendo as dimensões territoriais. É geralmente um termo aplicado aos aspectos econômicos desse processo. Implica crescimento do mercado global, de maneira crescente penetrando e dominando as economias nacionais, que no processo perdem um pouco de sua autonomia. Globalização refere-se ao grau de globalismo: se intenso ou mais “fraco”. Globalização refere-se ao dinamismo e velocidade com que o globalismo se torna mais ou menos intenso. Quanto maior o grau de globalismo, ou seja, maior a intensidade das conexões entre as redes internacionais, maior a interdependência entre essas redes, havendo intersecções em níveis mais profundos (políticos, econômicos, sociais). Tanto globalismo como globalização são conceitos ligados à história humana. A “Silk Road” e a Companhia das Índias Ocidentais são exemplos desses movimentos muito antes mesmo de haver um nome para eles. Mas o que está em discussão no movimento conservador atual é quão poderosa é essa rede, sua escala e, principalmente, quanto o poder de uma decisão tomada dentro da rede afeta políticas domésticas. Afinal, lideranças internacionais não eleitas tomando decisões fora do ambiente nacional não deveriam, na opinião dos conservadores, impor suas decisões sobre o ambiente doméstico, esse sim caracterizado por eleições e governança democráticas. Se perguntam os conservadores: o ambiente doméstico é accountable para seus cidadãos, mas a quem respondem as lideranças de movimentos e organizações internacionais? Essa discussão está na base do debate sobre o Brexit, por exemplo, e explica parte da reticência da administração americana atual com ambientes internacionais de negociação, como as Nações Unidas e os acordos climáticos debatidos nesse fórum. A parte 2 desse post apresentará uma recente proposta conservadora americana para lidar com o problema das mudanças climáticas. Para saber mais: http://www.theamericanconservative.com/jacobs/roger-scruton-and-environmental-conservatism/ http://www.esquire.com/news-politics/news/a49235/climate-change-belief-republicans/ Notas: Os termos liberais e conservadores nesse post referem-se a como são utilizados no sistema político americano. Democratas são os liberais (do ponto de vista social) e os Republicanos os conservadores (do ponto de vista social também). Agradeço ao Thomas Felsberg pela leitura crítica e contribuições para esse texto.
Descarbonização da carteira: um caso real.
No evento realizado hoje em São Paulo pelo GVces e a Global Challenges Foundation, discutimos as várias facetas da conexão entre a governança global e a governança local e qual o papel da governança internacional na canalização de recursos para a Economia Verde. A conversa no painel foi muito interessante, mas eu gostaria de destacar uma experiência bem-sucedida de descarbonização de portfolio apresentada por um dos participantes do painel. O que é descarbonização de portfolio? A descarbonização da carteira refere-se a esforços sistemáticos dos investidores no sentido de alinhar suas carteiras aos objetivos de uma economia com baixa emissão de gases de efeito estufa (apelidados de “baixo carbono”). Inclui, mas não está limitado a: (i) esforços no sentido de reduzir a pegada de carbono da carteira de investimentos; (ii) aumentar investimentos em áreas como energias renováveis; (iii) retirar capital de atividades econômicas com alto consumo de energia; e (iv) incentivar empresas e outras entidades a reduzir as suas emissões e apoiar a transição para uma economia de baixo carbono. A experiência do AP4 Mats Andersson, vice-presidente da Global Challenges Foundation (https://globalchallenges.org/) e ex-presidente do Fundo de Pensão da Suécia (AP4), contou como foi bem-sucedido o processo de descarbonização do portfolio do fundo, iniciado em 2012, apenas com algumas empresas investidas. Eles decidiram iniciar esse processo porque entenderam que as mudanças climáticas terão impacto material sobre o resultado do fundo no longo prazo. Nesse ponto, eles não estão sozinhos, como apontei nesse post aqui. Um ponto da apresentação dele em particular merece destaque: mais do que avaliar volatilidade como medida de risco (bem tradicional em finanças), eles consideram também a perspectiva de perdas permanentes de valor econômico como conceito de risco. Essa segunda ideia faz muito sentido para um fundo de pensão que precisa ter uma expectativa de longo prazo sobre seus ativos. As mudanças climáticas vão afetar os drivers de valor das companhias e para algumas, isso pode resultar em valor econômico menor. No processo de descarbonização, eles buscaram analisar a pegada de carbono das empresas investidas, comparando com a pegada de carbono de empresas do mesmo setor. Aos poucos, foram selecionando empresas com bom desempenho econômico-financeiro e menor pegada de carbono (desinvestindo de algumas e investindo em outras). Os resultados financeiros dessa migração do portfolio foram tão bons que um ano depois o Conselho autorizou fazer o mesmo para todas as empresas do portfolio. Como a operação foi bem-sucedida e não houve trade-off entre menor pegada de carbono e retorno financeiro, em 2014 o fundo estabeleceu a iniciativa chamada Portfolio Decarbonization Coalition (PDC), uma parceria do fundo com a Amundi Asset Management, o CDP (Carbon Disclosure Project) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Atualmente, a PDC tem 27 membros, representa US$3,2 trilhões de ativos sob gestão e tem um compromisso de descarbonizar US$ 600 bilhões de investimentos. Duas frases do Sr. Andersson ditas no painel de hoje merecem ser aqui reproduzidas: “Sustainable investments are drivers for higher returns at a lower risk” “There is no conflict between returns and sustainability” *** Para saber mais: http://unepfi.org/pdc/
Os Green Investment Banks: usando recursos públicos de forma inteligente
O Acordo de Paris foi aprovado por 195 países em dezembro de 2015, durante a 21ª Conferência das Partes da UNFCCC (Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). Seu objetivo é limitar o aquecimento global em até 2°C, com esforços para que não ultrapasse 1,5°C até o fim deste século, por meio de contribuições juridicamente vinculantes de todas as partes da Convenção. O Acordo foi ratificado pelo governo brasileiro em setembro de 2016 e o País, tendo como base o ano de 2005, comprometeu-se a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 37% até 2025 e 43% até 2030. Trilhões de dólares serão necessários para a construção de infraestrutura de baixo carbono e resiliente às mudanças do clima. A “descarbonização” da economia é necessária se quisermos manter o Acordo de Paris. Para atingir esses objetivos serão necessárias políticas públicas que orientem fluxos de recursos privados no sentido do baixo carbono. Com o objetivo de canalizar recursos públicos e alavancar recursos privados para a infraestrutura verde, mais de doze governos em nível nacional e subnacional criaram os chamados Green Investment Banks (GIBs). Um GIB é uma entidade pública criada com o fim específico de facilitar o investimento privado em projetos domésticos mais verdes, de baixo carbono. Já estabeleceram GIB a Austrália, Japão, Malásia, Suíça e Reino Unido. Em nível subnacional, California, Connecticut, Hawaí, Nova Jersey, Nova York, Rhode Island, Maryland, Masdar (nos Emirados Árabes). Em geral, os GIB são menores que bancos públicos tradicionais. O papel dos GIB é o de mobilizar recursos financeiros privados utilizando-se de recursos públicos. Os GIB criam estruturas financeiras que minimizam os riscos para o setor privado. Exemplos são garantias e o desenho de estruturas financeiras inovadoras, além de aporte de expertise técnico em áreas envolvendo tecnologia de baixo carbono (como energia, por exemplo), que reduz o risco para os investidores privados. Por exemplo, para cada 1 libra desembolsada pelo GIB do Reino Unido, eles foram capazes de alavancar 3 libras de recursos privados (por meio dessas estruturas que reduzem riscos para os investidores privados). O GIB de Connecticut conseguiu US$10 de recursos privados para cada US$1 de capital público. Projetos apoiados por GIB envolvem a criação de fundos de investimentos, projetos voltados ao desenvolvimento de cidades sustentáveis, eficiência energética, energias renováveis, entre outros. GIB são estruturas inovadoras voltadas exclusivamente para acelerar a transição para a chamada Economia Verde. Visam usar os recursos públicos de maneira inteligente, não realizando os investimentos de maneira integral, mas atuando em pontos chave, nevrálgicos, que impedem o envolvimento do capital privado. O Brasil tem um imenso potencial de ser uma das nações líderes na chamada Economia Verde, mas carece de estruturas que viabilizem a canalização de recursos privados. Analisamos no GVces vários desses obstáculos estruturais, como apontamos no relatório sobre a Agricultura de Baixo Carbono (http://observatorioabc.com.br/2015/05/1383analise-dos-recursos-do-programa-abc-foco-na-amazonia-legal-2/), no avanço do manejo florestal sustentável (http://gvces.com.br/contribuicoes-para-analise-da-viabilidade-economica-das-propostas-referentes-a-decuplicacao-da-area-de-manejo-florestal-sustentavel-resumo-executivo?locale=pt-br) e no alinhamento do sistema financeiro nacional à sustentabilidade (http://www.gvces.com.br/sistema-financeiro-nacional-e-a-economia-verde-3/?locale=pt-br). O Brasil deveria analisar seriamente como usar de maneira eficiente os recursos dos bancos públicos (em especial o BNDES) para canalizar recursos privados para tornar a economia brasileira competitiva e sustentável. Para saber mais: http://www.oecd-ilibrary.org/docserver/download/e3c2526c-en.pdf?expires=1486328783&id=id&accname=guest&checksum=AD999C03FC0FFDF0CC2901FB3F411261
Algumas reflexões sobre Trump, os EUA e as mudanças climáticas
Desde a campanha presidencial, Donald Trump vem se declarando contrário ao envolvimento dos Estados Unidos com esforços supranacionais ligados ao tema das mudanças climáticas, em particular com os esforços das Nações Unidas. Em seu “Contract with the American Voter”, o plano para os 100 primeiros dias de seu mandato, no ponto 7 ligado à agenda de proteção aos trabalhadores americanos, Trump diz que vai cancelar bilhões de pagamentos aos programas ligados às mudanças climáticas sob o guarda-chuva da ONU e usar os recursos para corrigir problemas ligados à infraestrutura de água e ambiental dos Estados Unidos. A princípio, e analisando com base somente nesse ponto, talvez Trump estivesse querendo redirecionar os recursos antes destinados a esforços supranacionais para investimentos domésticos com claras conexões com reduções de emissões de gases de efeito estufa (GHG na sigla em inglês). Os maiores emissores de GHGs são (considerando emissões absolutas – quando se considera per capita, a análise fica diferente): Fonte: WRI para dados de 2012 http://www.wri.org/blog/2015/06/infographic-what-do-your-countrys-emissions-look Quanto da agenda ligada às mudanças climáticas retrocederia em função do fator Trump? Não se sabe, é claro. Mas alguns elementos podem ser considerados: Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de GHG, atrás somente da China. A não participação nas discussões globais sobre o tema de uma liderança importante como os EUA, seria uma perda relevante no chamado “thought leadership”, assim como dos recursos (os tais bilhões que serão redirecionados para o mercado doméstico) que os Estados Unidos aportariam na ONU. Aí haveria uma perda significativa. Entretanto, se esses recursos fossem destinados a projetos nos Estados Unidos ligados a energias mais limpas ou infraestrutura verde, o assunto mudanças climáticas talvez não perdesse tanto. Só o tempo dirá que decisões o governo federal americano tomará. Também, por mais que Trump tenha defendido na campanha o uso de carvão limpo e avanços em óleo e gás, isso só acontecerá se fizer sentido econômico para empresários e investidores. Os menores preços de gás de xisto têm levado a menores preços e demanda por carvão também. E os preços associados a combustíveis fósseis têm caído. O relatório sobre o outlook global do setor energético publicado em novembro de 2016 pela International Energy Agency (IEA) aponta crescimento dos investimentos globais em fontes renováveis de energia e queda dos investimentos em energias fósseis. Também caiu o total global de subsídios para combustíveis fósseis como resultado da queda do preço do petróleo e reformas tributárias em diversos países com o objetivo de remover tais subsídios. O relatório aponta que está havendo uma transformação global rumo às energias renováveis. Desenha o cenário 2040 em que 60% de toda nova capacidade de geração de energia terá vindo de fontes renováveis. O renovável tende a ser o novo business as usual. Os investidores já estão antenados à essa tendência. Como apontei em post anterior, as empresas ligadas à exploração de petróleo já consideram essa tendência, assim como investidores que não podem, em função de seu dever fiduciário, ignorar mais os riscos ligados às mudanças climáticas. Por exemplo, o BlackRock, maior casa gestora de recursos do mundo, emitiu um relatório recomendando a investidores que considerem o risco climático em suas análises. O movimento de investidores no sentido do desinvestimento em ações de empresas expostas aos riscos climáticos já envolve 400 instituições, incluindo os dois maiores fundos de pensão da California (CalPERS e CalSTRS) e um fundo soberano da Noruega, além de 2.000 investidores pessoas físicas, somando, no total, cerca de US$2,6 trilhões. O Financial Stability Board, na Basileia, tem uma força tarefa liderada por Michael Bloomberg para melhorar o reporte de informações ligadas a clima por empresas listadas em bolsa. Não que viveremos uma era sem petróleo: fontes fósseis continuarão a ser necessárias como recursos energéticos, mas terão que conviver com soluções energéticas mais limpas. Com muita probabilidade, não serão a base da matriz energética mundial. Segundo reportagem da The Economist, o custo das baterias em veículos elétricos caiu 80% desde 2008; os custos de energia eólica offshore na Europa caiu mais da metade nos últimos três anos. A energia solar está se aproximando do gás e do carvão em termos de atratividade econômica. Com essa tendência, embora Trump queira fazer crescer os investimentos em fósseis, há dúvidas se o mercado privado verá racionalidade econômico-financeira e investirá nesse caminho. Outro ponto que merece destaque é que os estados e cidades americanos são relevantes para o avanço da agenda climática no país, já que controlam poder legal e político para decisões ligadas às emissões. Um estudo publicado pelo Brookings Institute, um think tank localizado em Washington, aponta que 33 estados americanos e o Distrito de Columbia têm perseguido políticas de decoupling, ou seja, crescimento econômico sem aumento de emissões de gases de efeito estufa. Em conjunto, o PIB cresceu 22% no período e as emissões caíram 12%. Essa é uma discussão recorrente nos meios políticos e diplomáticos envolvidos com o tema das mudanças climáticas: a de que não se pode prescindir de emissões de gases de efeito estufa para haver crescimento econômico. Entretanto, além dos 33 estados americanos, 35 países (incluindo os Estados Unidos) vêm conseguindo crescer ao mesmo tempo em que reduzem suas emissões. Isso acontece por crescimento de investimentos em eficiência energética, em fontes renováveis e fontes mais limpas, como gás natural. A figura abaixo mostra o crescimento do PIB dos EUA vis-à-vis as emissões desde 2000: Fonte: https://www.brookings.edu/research/growth-carbon-and-trump-state-progress-and-drift-on-economic-growth-and-emissions-decoupling/#fullreport Há também 16 estados que tiveram crescimento econômico e crescimento de emissões. Os fatores que influenciam o sucesso ou insucesso do decoupling são os investimentos em mudança tecnológica, preferência dos consumidores, composição econômica do estado (mais indústria ou mais serviços) e, claro, a matriz energética do estado. Enfim, longe de ser um estudo conclusivo sobre o tema, o que o estudo mostra é que há estados americanos que provavelmente seguirão com sua agenda de redução de emissões, a despeito das decisões do governo federal. O avanço da discussão sobre o tema nos Estados Unidos dará um importante tom para as discussões internacionais. Entretanto, China e Europa seguirão avançando com o acordo de Paris. O Acordo foi ratificado por
Mercado de finanças da conservação: um potencial caminho para o Brasil.
Investimento em conservação (em inglês, Conservation Finance) são investimentos intencionais em empresas, fundos, projetos, organizações, com o objetivo de gerar dois tipos de resultados: (i) retorno financeiro; e (ii) retorno ambiental, mensurável e verificável. O interessante é que se trata de investimento privado que busca encontrar bons projetos ligados à conservação de vegetação. Esse é um mercado emergente porque em geral, a maior parte dos recursos destinados à conservação da vegetação é de origem pública. Entretanto, esse mercado surgiu porque avança a compreensão de que é preciso preservar e conservar os ecossistemas para que nos beneficiemos dos serviços que eles nos prestam e que estão na base de toda a vida e de toda a atividade econômica: provisão de alimentos e água, purificação do ar, equilíbrio climático, formação de solo, bem-estar cênico, entre outros. O tamanho do desafio é de tal ordem – lembrando que em 200 anos de revolução industrial a população passou de um pouco menos de 1 bilhão em torno de 1800 para 7,5 bilhões em 2017, e que tal crescimento populacional pressiona fortemente os recursos naturais -, que recursos públicos não vão conseguir atender à toda a demanda por recursos para conservação da vegetação. Assim, há espaço e necessidade para a participação do capital privado. Esse tipo de mercado vem crescendo substancialmente. Um estudo lançado em janeiro de 2017 e realizado pelo banco JP Morgan e The Nature Conservancy (TNC) junto a investidores em conservação – foram entrevistados um total de 128 bancos, empresas gestores de fundos, family offices, fundações e ONGs que investem em conservação – trouxe resultados interessantes. O estudo foi feito com respondentes da América do Norte (80), América Latina (11), Europa (28), África (3), Ásia (3) e Oceania (3). O total de capital privado comprometido com conservação totalizou US$ 2 bilhões em 2015, um incremento de 82% em relação a 2014 (US$ 1 bilhão). No período compreendido entre 2004 e 2015, esse montante chegou a US$ 8,2 bilhões. A média anual desse tipo de investimento no período 2004 – 2008 foi de US$ 0,2 bilhão. O principal destino desses investimentos no período entre 2004-2015 foi predominantemente agricultura sustentável e produção de fibras (80%), seguido de conservação de habitats (16%) e quantidade e qualidade da água (4%). Investimentos em agricultura sustentável e produção de fibras incluem empresas em agricultura sustentável, gestão sustentável de terras agrícolas, pecuária sustentável, produção sustentável de madeira, aquicultura sustentável. Para que essas atividades sejam sustentáveis é preciso conservação e preservação da vegetação. Nessa categoria de investimentos, o principal destino foi para agricultura sustentável e florestas. Investimentos em conservação de habitats inclui a proteção de espécies e habitat (biodiversidade) por meio da compra de terras; investimentos em carbono florestal e mecanismos de compensação de áreas de vegetação (como são as Cotas de Reserva Ambiental no Brasil). Nessa categoria de investimentos, o principal destino foi para compra de terra para conservar. Investimentos em quantidade e qualidade da água inclui proteção de bacias hidrográficas; conservação e melhoria da infraestrutura para equilibrar as necessidades humanas com os ecossistemas; gestão da água de chuva; e comercialização de créditos de qualidade ou quantidade de água. Caminhos para o Brasil O investimento em conservação no Brasil ainda é predominantemente público, por meio das Unidades de Conservação instituídas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Federal n. 9985, de 2000. Entretanto, considerando o perfil florestal do Brasil (possui a maior extensão de florestas tropicais e a segunda maior cobertura florestal do mundo), a pujança de nosso agronegócio e o desafio de conciliarmos produção econômica com proteção e conservação vegetal (vide o debate sobre o Novo Código Florestal) de maneira economicamente eficiente, faria todo o sentido o Brasil avançar em medidas que a viabilizassem a participação do investidor privado em mercados ligados à proteção dos ecossistemas. Em 2016, nós do GVces estudamos a pedido da Coalizão Clima, Floresta e Agricultura, as necessidades de recursos para se avançar no manejo florestal sustentável na Amazônia e os ganhos para o país em termos de PIB, empregos, impostos e balança comercial caso esses investimentos fossem feitos. É triste ver que cerca de 80% da produção de madeira em tora no Brasil é ilegal. Ou seja, há um potencial enorme de desenvolvimento do mercado madeireiro e não madeireiro, mas que não consegue florescer em função da competição desigual com a ilegalidade. Os resultados do nosso estudo podem ser acessados no nosso site: http://mediadrawer.gvces.com.br/abc/original/gvces_resumo-executivo_manejo-final.pdf Considerando a conjuntura econômica brasileira e o crescimento dos mercados internacionais ligados à conservação, o Brasil poderia e deveria estar desenvolvendo caminhos para que esses recursos privados fossem alocados aqui. Somos uma potência da sustentabilidade com competitividade econômica, mas para que esse potencial se viabilize uma série de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento de mercados é necessária. Para saber mais: http://www.forest-trends.org/documents/files/doc_5474.pdf# http://mediadrawer.gvces.com.br/abc/original/gvces_resumo-executivo_manejo-final.pdf
O relatório sobre riscos globais do World Economic Forum
Hoje começa o encontro anual do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF) em Davos na Suíça (de 17 a 20 de janeiro). É um encontro bem prestigiado: reúne líderes econômicos de diversos países para discutir cenários futuros e seus potenciais impactos econômicos. O Fórum Econômico Mundial há 12 anos publica um relatório sobre os principais riscos globais e tendências que podem impactar a atividades econômicas. “Riscos globais” são eventos ou condições incertas que, caso ocorram, podem causar impacto significativo em diversos países ou indústrias nos próximos 10 anos. “Tendências” referem-se a padrões que estão em mudança e que podem contribuir para ampliar os riscos globais e/ou alterar a relação entre os diversos riscos globais. O relatório de 2017 foi elaborado em parceria com a Universidade de Cingapura, Oxford e Wharton e é construído a partir de 745 respostas ao questionário do WEF e das próprias pesquisas do Fórum. Chama atenção que aspectos ambientais, sociais e econômicos ligados à sustentabilidade historicamente fazem parte dos top 5 riscos e tendências considerados no relatório do WEF. Acho que o relatório do WEF é um insumo interessante quando se está trabalhando com planejamento estratégico e desenhando cenários de médio e longo prazo. Riscos globais De acordo com o relatório, dos 5 principais riscos globais em termos de probabilidade de ocorrência, dois são ambientais, um é social, um é tecnológico e um é geopolítico. Eventos climáticos extremos e desastres naturais foram classificados na primeira e terceira posições, respectivamente. O primeiro refere-se a enchentes, tempestades, secas etc, que levam a perdas de vidas humanas e a impactos econômicos relevantes sobre infraestrutura e propriedade. O segundo refere-se a terremotos, tsunamis e outros desastres naturais que também levam a perdas significativas, tanto de vidas humanas quanto econômicas. Ataques terroristas, migração involuntária e fraude de dados completam a lista. Top 5 riscos globais em termos de probabilidade de ocorrência, de acordo com o WEF, 2017: Já em termos de impacto, três são ambientais, um é social (mas que é uma crise de água, ou seja, o impacto sobre a sociedade da crise de água) e um é geopolítico. Aparecem na lista (em ordem de acordo com a classificação do WEF) armas de destruição em massa, eventos climáticos extremos, crise da água, desastres naturais e falência na mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Aspectos relacionados às mudanças climáticas aparecem nos top 5 riscos do WEF desde 2011. Top 5 riscos globais em termos de impacto, de acordo com o WEF, 2017: Tendências apontadas Entre as top 5 tendências que podem afetar o cenário global, o relatório aponta: Tais tendências, associadas aos riscos, podem levar a aumento de desemprego, instabilidade social, colapso e/ou crise dos sistemas políticos, falta de água, entre outros. O relatório destaca também tecnologias emergentes que aceleram a transição para a quarta revolução industrial. Essas tecnologias podem exacerbar os riscos identificados, em especial porque requerem avanços consideráveis de governança para potencializar seus efeitos positivos e evitar que seus efeitos negativos gerem grandes impactos sociais. Dentre as tecnologias apontadas, destacam-se: Para quem trabalha com avaliações econômico-financeiras de longo prazo e planejamento estratégico, a leitura do relatório do WEF é fundamental. Para saber mais:
Sustentabilidade e desempenho financeiro: um estudo com 180 empresas americanas
Annelise Vendramini (com colaboração de Ana Paula Mello e Mylena Sato) Com o objetivo de entender os efeitos da gestão para a sustentabilidade sobre o desempenho organizacional, os Professores Robert Eccles e George Serafeim de Harvard e Ioannis Ioannou da London Business School desenvolveram um estudo que comparou 180 empresas nos Estados Unidos pelo período de 1993 a 2009, dividindo-as em dois grupos amostrais: 90 empresas foram classificadas como High Sustainability (HS) e outras 90, de setores comparáveis, como Low Sustainability (LS). Foram denominadas High Sustainability Companies, aquelas que adotaram diversas políticas ambientais e sociais ao longo do período estudado. As Low Sustainability Companies seriam as que adotaram pouca ou nenhuma destas políticas. No conjunto das políticas consideradas foram selecionadas ações ligadas a aspectos socioambientais em relação ao meio ambiente, aos colaboradores, à comunidade, aos produtos e aos clientes. Os autores concluíram, depois de analisar os dados de desempenho dessas empresas ao longo do tempo, que empresas High Sustainability superam o desempenho de empresas LS no longo prazo, tanto do ponto de vista do mercado de ações, quanto do desempenho contábil. As empresas HS possuem Conselhos de Administração mais responsáveis em relação às questões ambientais, maior solidez no processo de engajamento de stakeholders, orientação estratégica de longo prazo, melhor mensuração e divulgação de informações de caráter não-financeiro. Importância do Conselho de Administração nas HS companies São dois os elementos fundamentais de um sistema de governança corporativa: (i) a atuação efetiva dos Conselhos de Administração; e (ii) uma “boa” estrutura de incentivos (bonificação) para o alto escalão, alinhando-os aos interesses de longo prazo dos acionistas. Os conselhos desempenham um papel importante de monitoramento do desempenho da empresa no longo prazo. A inserção de métricas não-financeiras nos mecanismos de bonificação de executivos é fundamental para assegurar a longevidade da organização. Os autores observaram que dentre as High Sustainability Companies, 53% das empresas atribuem responsabilidade formal sobre questões de sustentabilidade ao conselho de administração. Já no grupo das Low Sustainability Companies, essa parcela é de apenas 22%. Outro comportamento evidenciado no estudo é que, dentre as empresas do primeiro grupo, 41% trabalham com a formação de comitês de diretoria exclusivos para lidar com questões de sustentabilidade. Quanto à remuneração dos executivos seniores, cerca de 30% das empresas do primeiro grupo vinculam as compensações às métricas de sustentabilidade, além das métricas financeiras. Já nas empresas Low Sustainability, esse vínculo é de apenas 13%. Sendo assim, as High Sustainability Companies são mais propensas a utilizarem incentivos monetários para que os executivos considerem aspectos não-financeiros do desempenho corporativo na tomada de decisão. A relação com stakeholders é chave no desempenho superior das HS companies As High Sustainability Companies consideram um grupo mais amplo de stakeholders como parte de sua estratégia corporativa quando comparadas às Low Sustainability Companies, As HS priorizam o engajamento de stakeholders, adotando uma postura mais responsável preocupada em entender as necessidades dos diversos stakeholders, investindo nessas relações. O engajamento efetivo de stakeholders requer estratégia e visão de longo prazo para se estabelecer relações de confiança e cooperação mútuas, construídas e sustentadas ao longo do tempo. Ações de curto prazo podem, na verdade, prejudicar o relacionamento com stakeholders estratégicos. Quando se trata de sustentabilidade, visão de longo prazo é essencial A visão de longo-prazo é um elemento importante para a integração de aspectos ambientais e sociais à estratégia organizacional. As High Sustainability Companies mantiveram estratégia de sustentabilidade no longo prazo. Seu desempenho financeiro foi superior considerando um horizonte de tempo mais amplo e mostraram-se capazes de atrair investidores de longo prazo em detrimento de investidores “passageiros”, mais interessados na geração de resultados de curto prazo. Para saber mais: http://www.hbs.edu/faculty/Publication%20Files/SSRN-id1964011_6791edac-7daa-4603-a220-4a0c6c7a3f7a.pdf