
Um tema que vem ganhando bastante importância na comunidade SRI (Socially Responsible Investment) é o crescimento do mercado de títulos de renda fixa com adicionalidades socioambientais, os chamados Green Bonds. De fato, esse é um mercado em ascensão: US$ 65 bilhões em emissões (no começo de novembro de 2016), um crescimento de 55% sobre os montantes emitidos em 2015 (US$ 42,2 bilhões) e quase 80% quando comparado com as emissões de 2014 (US$ 36,5 bilhões). Apesar de ser ainda um mercado de nicho – representa cerca de 1% do mercado de renda fixa global – os Green Bonds representam uma classe de ativos em crescimento. E isso não é pouca coisa.
Mas o que são Green Bonds (GB)?
Um título de dívida tradicional é um instrumento de renda fixa, no qual o emissor do título capta um montante fixo de recursos financeiros de investidores durante um período de tempo previamente definido, restituindo o capital ao investidor na maturidade do título, e remunerando com pagamento de juros (cupons) ao longo do período. A principal diferença entre os títulos tradicionais e os títulos “verdes”, chamados Green Bonds (GB), é o destino dos recursos captados. Os títulos podem ser emitidos por governos, bancos, instituições supranacionais e corporações públicas e privadas, e as condições de remuneração e características são definidas no processo de emissão.
Na emissão de GB, o emissor capta recursos para financiar exclusivamente projetos sustentáveis, tais como energia renovável, eficiência energética, gestão sustentável de resíduos, transporte de baixo carbono, projetos florestais etc. Os títulos também podem ser usados para financiar projetos com benefício social, como a melhoria da saúde e dos serviços sociais.
E por que os investidores se interessam por Green Bonds?
Principalmente por duas razões. A primeira é que os GB oferecem aos investidores a possibilidade de diversificação de sua carteira de seus investimentos, acessando projetos rentáveis com adicionalidades socioambientais e maior transparência na aplicação dos recursos financeiros. A segunda razão, são títulos que atendem aos mandatos dos investidores alinhados ao conceito de Socially Responsible Investment (SRI). Diversos investidores seguem a orientação SRI e limitam a composição de sua carteira a investimentos que consideram impactos socioambientais.
Mas o retorno de um GB é melhor que o retorno de um título tradicional?
Esse é um amplo debate no campo das finanças sustentáveis: se há causalidade entre sustentabilidade e retorno financeiro. Vamos deixar esse debate para outros posts. Mas, para sanar a dúvida ligada a GB: as evidências internacionais não apontam para um desempenho superior dos GB em relação aos títulos tradicionais. Seus ganhos estão associados ao fato de que os GB têm seus recursos direcionados para projetos específicos, carimbados, o que muitas vezes é percebido pelos investidores como sendo um aspecto redutor de risco. Também, GB oferecem aos investidores e empresas ganhos reputacionais de estarem associados a projetos SRI. E como já dito anteriormente, funcionam como alternativas interessantes do ponto de vista do retorno ajustado ao risco para se fazer a gestão de risco do portfolio de investimentos.
Esse é um mercado crescente no mundo todo. Por tudo isso, ainda vamos ouvir falar mundo de GB.
Para saber mais:
No nosso estudo (GVces) em parceria com a FEBRABAN, publicado em 2015, explicamos o que é o mercado internacional e fizemos uma boa discussão sobre o potencial mercado brasileiro de GB.