Living Planet Report, 2016: o relatório que todo gestor de sustentabilidade deveria ler.

É sempre bom lembrar: as discussões sobre sustentabilidade não são uma nova moda, o assunto do momento. Elas surgiram e ganharam força porque os limites ecológicos que asseguram a estabilidade das condições que permitem a vida humana estão sendo ultrapassados.

Empresas financeiras e não financeiras impactam e são impactadas pelo estado atual dos ecossistemas. As atividades econômicas afetam esses limites ecológicos e são afetadas por eles. A insustentabilidade representa um importante risco para a atividade econômica.


A cada dois anos, o WWF, a Global Footprint Network e the Zoological Society of London publicam um relatório chamado “Living Planet Report” (LPR) que acompanha as mudanças na biodiversidade. O prefácio da edição de outubro de 2016 foi assinado por Johan Rockström, diretor executivo do Stockholm Resilience Center, um centro de pesquisa associado à Universidade de Estocolmo e um dos mais importantes pesquisadores sobre resiliência dos ecossistemas.

O LPR mede o estado da biodiversidade baseado no monitoramento de 14.152 populações,  avaliando as mudanças na abundância dessas populações ao longo do tempo, desde 1970. O LPR é como se fosse um índice de ações, em que se monitora variações no índice ao longo do tempo; a edição publicada em outubro de 2016 analisa os dados de 1970 a 2012. São 3.706 espécies de vertebrados monitoradas (mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis), em ecossistemas terrestres e aquáticos. Desde 1970 a 2012, o LPR declinou 58%, o que significa que o tamanho das populações monitoradas diminuiu consideravelmente. Essa queda no número de populações foi causada por: (i) modificações nos ambientes em que as espécies vivem causadas, por exemplo, pela agricultura insustentável, por mudança no uso do solo, pela produção de energia e mineração; (ii) superexploração de espécies, como por exemplo, caça, colheita, pesca excessiva; (iii) poluição, tornando o ambiente inadequado para a vida de determinadas espécies;  (iv) espécies invasivas e que podem se tornar predadores de espécies nativas; (v) as mudanças climáticas.

Figura 1: O índice LPR 2016 (página 19 do LPR, 2016)

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O índice terrestre – que monitora a abundância das espécies terrestres – caiu 38%, enquanto que o índice aquático – que acompanha as espécies que vivem em lagos, rios e pântanos – caiu 81%. Os ecossistemas aquáticos sofrem a influência de alterações em suas bacias hidrográficas,  construções de barragens, poluição, espécies invasivas, aumento no consumo de água. E por serem ecossistemas complexos, que em geral estão sob responsabilidade de mais de uma jurisdição (imagine um rio que corta mais de um município), a ação conjunta em prol de sua conservação é mais difícil.  Assim, as espécies que vivem em ecossistemas aquáticos estão em pior situação que aquelas que vivem em ecossistemas terrestres.

Figura 2: O índice LPR 2016 Terrestre (página 22 do LPR, 2016)

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Figura 3: O índice LPR 2016 Aquático (página 30 do LPR, 2016)

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Os resultados do LPR de 2016 são uma triste notícia. E não somente por razões éticas, ligadas ao direito de existência de outras espécies que não a humana. Mas também porque a vida humana depende de ecossistemas diversos (da diversidade biológica). Somos dependentes dos serviços prestados pelos ecossistemas para que tenhamos alimentos, condições climáticas adequadas à vida humana e controle de pestes e doenças.  A destruição de habitats e perda de espécies são sinais de risco também para a nossa prosperidade humana. Perdas substanciais da qualidade dos ecossistemas comprometem a continuidade das espécies que ali vivem e da atividade econômica. Um exemplo é a água; acesso e disponibilidade de água são fundamentais para a vida doméstica, para a agricultura e indústria. Segundo o LPR 2016, de acordo com as Nações Unidas (FAO, Food and Agriculture Organization of the United Nations), em 2014 50 países (de 174) sofreram stress hídrico (consumo de água de menos de 1.700 m3 por habitante) ou escassez hídrica (consumo de água de menos de 1.000 m3 por habitante), como resultado de aumento populacional e mudança nos padrões de consumo.  Em 1992, essa situação afetava 30 países.

Figura 4: Stress hídrico e escassez hídrica (página 54 do LPR, 2016)

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Os achados do LPR deveriam estar no radar de empresas financeiras e não financeiras e ser leitura obrigatória para todos gestores de sustentabilidade. As empresas deveriam considerar em suas estratégias de sustentabilidade o impacto direto e indireto que têm sobre a saúde dos ecossistemas.

Para saber mais:

http://awsassets.panda.org/downloads/lpr_living_planet_report_2016.pdf

http://www.economist.com/node/18744401