O estado atual do investimento responsável

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Foto de Thomas Picard

Estratégias de investimento responsável vêm crescendo nos mercados de capitais nos EUA e na Europa. Ao final de 2015, o montante alocado em investimentos SRI nos EUA foi de US$ 8,72 trilhões e na Europa, de €11,0 trilhões. Em ambos os casos, houve crescimento em relação às edições anteriores do estudo (com dados de 2013). Nos EUA chama a atenção à importância dada a critérios sociais (não envolvimento com investimentos em ativos em áreas em conflito) e mudanças climáticas. Na Europa, chama a atenção o crescimento material em investimentos de impacto e temáticos em sustentabilidade, como energias renováveis, eficiência energética, gestão hídrica e prédios sustentáveis.

Estados Unidos

O US SIF – The Forum for Sustainable Development publicou o seu relatório de 2016 (11ª edição) sobre o estado atual do investimento responsável nos Estados Unidos, os chamados SRIs Sustainable, Responsible and Impact investments (antes eram conhecidos por Socially Responsible Investments). O total dos ativos sob gestão ligados aos SRI nos Estados Unidos no começo de 2016 atingiu US$ 8,72 trilhões versus US$ 6,57 trilhões no começo de 2014, um crescimento de 33%. Os investidores SRI representam 22% do total de Assets Under Management (AUM) nos Estados Unidos. Segundo o relatório, o aumento dessa classe de ativos se deu por haver crescido a penetração de ativos ligados ao mundo SRI; por serem oferecidos novos produtos que incluem análises ESG (Environmental, Social and Governance); e por ter crescido o número de analistas que adotam critérios ESG em suas análises, alinhados aos princípios do PRI. O relatório traz alguns pontos interessantes:

Incorporação de aspectos ESG para gestores de recursos (money managers e veículos de investimento):

  • Fatores ambientais são aplicados a um montante de US$ 7,79 trilhões; mudanças climáticas respondem por US$ 1,43 trilhão e clean tech, US$ 354 bilhões;
  • Critérios sociais como riscos de conflito, oportunidades iguais de emprego, diversidade, direitos humanos são aplicados a US$ 7,78 trilhões de AUM;
  • Governança se aplica a US$ 7,70 trilhões;
  • Restrições de investimentos em tabaco, álcool ou outros tipos de setores são aplicadas  a US$ 1,97 trilhão.

85% dos respondentes disseram que incorporam ESG em suas análises a pedido do cliente (em especial os investidores institucionais).

Incorporação de aspectos ESG para investidores institucionais:

  • O principal critério é não investir em áreas com conflitos (áreas com conflitos civis ou envolvidas em terrorismo). Esse filtro se aplica a US$ 2,75 trilhões em AUM;
  • Critérios ligados a mudanças climáticas e emissões de carbono são aplicados a US$ 2,15 trilhões. Isso representa um aumento considerável em relação ao montante de 2014, que foi de US$ 551 bilhões. Critérios ambientais mais amplos são aplicados a US$ 1,2 trilhão.

“Climate change remains the most significant overall environmental factor in terms of assets, affecting $1.42 trillion in money manager assets and $2.15 trillion in institutional investor assets— more than three times the amounts affected in 2014. Fossil fuel restrictions or divestment policies applied to $152 billion in money manager assets and $144 billion in institutional investor assets at the beginning of 2016.” Relatório US SIF, p. 16

O estudo europeu

A comparação entre os estudos americano e europeu é um pouco prejudicada pelo fato de que os objetivos dos dois estudos são um pouco distintos. O estudo americano se concentrou em entender quais os critérios ESG preferidos pelos gestores e investidores (se ambiental, social, governança e, dentro desses, quais os preferidos). Já o estudo europeu buscou entender quais os critérios são preferidos pelos analistas:

  • Se critérios de exclusão (exclusão de setores ambientalmente impactantes);
  • Critérios baseados em aderência a políticas e normas internacionais, tais como OCDE, Pacto Global das Nações Unidas, entre outros;
  • Critérios baseados em best-in-class, ou seja, no ativo que obtiver o melhor desempenho ESG em comparação com seus pares;
  • Integração de aspectos ESG em todas as análises;
  • Ativismo ESG por parte de investidores;
  • Investimento temático em sustentabilidade, como por exemplo, tecnologia limpa, transporte sustentável, gestão de resíduos;
  • Investimento de impacto.

O total de recursos que são classificados como SRI na Europa ao final de 2015 foi de €11,0 trilhões. De acordo com a Eurosif, o principal driver de investimentos SRI na Europa foi o critério de exclusão, adotado a um total de  €10 trilhões de investimentos. O driver menos adotado foi o investimento de impacto. Entretanto, enquanto o critério de exclusão obteve um crescimento de 22% em relação à pesquisa de 2013 (edição anterior), o investimento de impacto cresceu substancialmente (120%), mostrando que essa é uma estratégia de investimento SRI que talvez ganhe mais espaço nos próximos anos. Cabe destacar também que os investimentos temáticos em sustentabilidade experimentaram um crescimento de 57% em relação aos números de 2013, embora tenham sido aplicados a €145,2 bilhões em investimentos. Nos chamados investimentos temáticos tiveram destaque os investimentos em construções sustentáveis (23,72%), energias renováveis (19,68%), gestão de recursos hídricos (13,3%) e eficiência energética (10,66%).

Figura 1. Estratégias de investimento SRI na Europa. (p. 12 do relatório Eurosif, 2016)

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Para saber mais:

http://www.ussif.org/files/SIF_Trends_16_Executive_Summary.pdf

http://www.eurosif.org/wp-content/uploads/2016/11/SRI-study-2016-LR-.pdf