Sustentabilidade e a destruição criativa.

Em 1902, em Minnesota, estado no norte do Estados Unidos, com bonitas paisagens e pradarias, cinco amigos decidiram fundar uma empresa para buscar e extrair corundum, minério conhecido por sua dureza e com diversas aplicações na indústria. Mais de um século depois, essa empresa tem presença global, faturamento de mais de US$ 30 bilhões e 91.584 funcionários distribuídos em mais de 70 países.

Achou que estávamos falando de alguma grande mineradora atual? Não, a empresa em questão é a 3M, ou a Minnesota Mining and Manufacturing Co, seu nome de fundação. As razões que levaram a 3M a ser uma empresa longeva e bem-sucedida são muitas, mas um elemento é central: a capacidade de inovar, mantendo seus valores centrais (core values). Segundo Jim Collins e Jerry Porras em “Built to Last”, é essencial que ao longo do tempo as empresas mudem a cultura, estratégia, produtos, objetivos, competências, políticas, estrutura administrativa e sistemas de incentivos. A única coisa que não deve mudar são suas crenças e valores centrais.  A necessidade de mudança e inovação constantes no mundo capitalista ficou conhecida pelo trabalho de Schumpeter, o criador do hoje famoso conceito de “destruição criativa”. Em sua análise da economia capitalista, Schumpeter afirmou que o capitalismo é um processo evolucionário; não é (e nunca será) estacionário porque a vida econômica acontece em contextos sociais e ambientais que estão em constante mudança.

Ora, empresas inovadoras investem em inovação, muitas vezes com resultados futuros incertos. E investimentos dessa natureza envolvem o sacrifício de recursos financeiros no curto prazo. Empresas bem-sucedidas estão acostumadas a lidar com mudanças e incertezas, mesmo que no curto prazo tenham que abdicar de retorno financeiro. Mas por que as empresas investem em inovação? Porque têm um vislumbre do futuro e precisam orientar seus negócios para essa direção e porque suas inovações estão profundamente conectadas a seus valores centrais, mesmo que não estejam a seu negócio atual. Em suma, gestores de empresas bem-sucedidas são capazes de enxergar na inovação oportunidades para criação e proteção de valor econômico, mesmo a médio e longo prazos.

A gestão que considera a sustentabilidade é uma dessas inovações que vai deixar alguns negócios pelo caminho e vai levar ao surgimento de outros muito diferentes do que vemos hoje.

Nesse artigo da GV Executivo, escrito em parceria com meu amigo Aron Belinky, explicamos as razões pelas quais a sustentabilidade deve ser levada a sério pelas empresas que querem continuar existindo.

Boa leitura!