Restauração ecológica no Brasil e seus desafios.

Nessa semana foi lançado o relatório com os dados do Global Forest Watch (https://blog.globalforestwatch.org/data-and-research/mundo-perde-area-do-tamanho-da-belgica-em-florestas-tropicais-primarias-em-2018) apontando que os trópicos perderam 12 milhões de hectares de cobertura florestal em 2018. Um destaque ruim foi o desaparecimento de 3,6 milhões de hectares de florestas tropicais primárias. Brasil, Congo e Indonésia lideram o ranking de desmatamento de florestas primárias, seguidos por Colômbia e Bolívia. São tristes notícias.

Frente aos desafios trazidos pela mudança do clima e a oportunidade de o Brasil obter vantagem comparativa como país líder em sustentabilidade (se fizer sua lição de casa, claro), fica evidente a necessidade de avançarmos na proteção de florestas e áreas com cobertura vegetal e restaurar áreas que foram convertidas em outros usos. Não basta atuarmos para evitar o desmatamento, é preciso restaurar a paisagem. Entretanto, esse não é um desafio trivial, especialmente em um país como o Brasil.

Um grupo de pesquisadores do qual fiz parte (liderado pela Profa. Mercedes Bustamante e pelo Prof. Salomão, ambos da UNB) acabou de publicar um artigo na revista acadêmica “Mitigation and Adaptation Strategies for Global Change”( https://rdcu.be/byQEd ) em que se discute os fatores críticos para que os programas de restauração ecológica seja bem-sucedidos no Brasil.   O artigo discute em profundidade os seguintes fatores:

  • Viabilidade técnica das áreas a serem restauradas, considerando as características ecológicas da região e ecossistemas;
  • Viabilidade econômica e financeira da restauração, incluindo a adoção de instrumentos econômicos;
  • Existência de políticas públicas e monitoramento para áreas restauradas;
  • Capacidade de governança das agências governamentais;
  • Pesquisa e desenvolvimento e inovação, em particular na ciência da restauração;
  • Análise de trade-offs entre sistemas que inserem florestas em áreas originalmente não florestais.

É a academia procurando dar sua contribuição para um tema de grande importância para o Brasil.