
Os Catastrophe Bonds, apelidados de “cat bonds”, surgiram em 1992 após o furacão Andrew causar uma perda na indústria de seguros de mais de US$ 15,5 bilhões. Tornou-se muito caro segurar riscos ligados a desastres naturais. Aí entram em cena os “cat bonds”. Trata-se de uma inovação do sistema financeiro global para lidar com riscos de desastres naturais. Esses títulos fazem parte da categoria “Insured Linked Securities” que têm por objetivo ajudar as resseguradoras, seguradoras, governos e empresas a gerenciar sua exposição a grandes riscos. É um tipo de securitização.
Apesar de ter sido criado em 1992, as emissões cresceram de maneira mais acentuada a partir de 2007. Enquanto o mercado de “cat bonds” somava em 1997 US$ 714 milhões, em 2006 atingiu US$ 10 bilhões. Em 2007, saltou para US$ 17 bilhões, mantendo-se em torno de US$ 15 bilhões desde então, puxado por uma demanda crescente por fundos de pensão. Um crescimento impressionante, assim como os Green Bonds. A estruturação de “cat bonds” envolve:
- Um emissor – que é quem está incorrendo no risco ligado a uma catástrofe e que busca proteção no mercado;
- Uma SPC (special purpose company) criada especificamente para essa transação. A SPC se capitaliza por meio da emissão desses títulos (os “cat bonds”), pagando a seus investidores o prêmio de risco envolvido na transação;
- Os investidores que buscam esse tipo de título após a análise de risco e retorno.
Se os eventos catastróficos previstos na emissão acontecerem (por exemplo, um furacão), o emissor fica com o dinheiro da emissão para cobrir suas perdas e os investidores perdem. Se não acontecerem, os investidores obtêm o retorno esperado. Basicamente, os investidores “apostam” contra a ocorrência desses eventos catastróficos, em geral, desastres naturais, incluindo furacões, terremotos e tufões. Já houve emissão de “cat bond” ligada a terrorismo. Depois do 11/09, grandes eventos enfrentam o risco adicional de um ataque terrorista. Para se proteger de um risco ligado ao cancelamento da copa de 2006 em função de um ataque terrorista, a FIFA emitiu um “cat bond” visando se proteger por meio do mercado de capitais, ao invés de uma seguradora. Para tanto, foi emitido um título de US$260 milhões transferindo o risco de um ataque terrorista para os investidores.
Por que os investidores investem em “cat bonds”?
Porque é uma forma interessante de fazer hedge. Os “cat bonds” não são correlacionados com variáveis macroeconômicas ou da indústria em geral. E é raro haver títulos que não estão correlacionados com variáveis macroeconômicas (como PIB, inflação, taxa de juros etc). Assim, esses títulos não refletem o que acontece em outros mercados financeiros; ao investir neles, o investidor corre “somente” o risco de ocorrência do evento em questão. Contanto que a catástrofe especificada na emissão não aconteça, os investidores continuam ganhando seu retorno. Mas, cabe destacar que esse é um tipo de risco bastante novo, que requer expertise específica para ser calculado. Afinal, não é nada trivial calcular a probabilidade de ocorrência de uma catástrofe climática, especialmente se considerarmos que dificilmente os dados históricos podem nos ajudar a projetar o futuro, em função das mudanças climáticas.
Para saber mais:
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167668712001345
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0929119914000066