Precificação de carbono: estado atual da discussão.

Um tema fundamental na agenda da sustentabilidade atual é a precificação de carbono. A precificação de carbono nada mais é do que atribuir um preço para o carbono (e demais gases de efeito estufa, dependendo do desenho do mecanismo de precificação), de tal maneira que as considerações envolvendo emissões de gases de efeito estufa passem a fazer parte da tomada de decisão de gestores públicos e privados. Esse processo de precificação pode acontecer via estabelecimento de um tributo (emitiu, pagou) ou por meio da criação de um mercado, em que são definidas as emissões máximas permitidas por setor (cap) e a alocação entre setores acontece por meio de um mercado (trade). Há também processos voluntários de precificação de carbono, em que agentes públicos e/ou privados estabelecem internamente às suas organizações um preço teórico para o carbono e demais gases de efeito estufa, inserindo-os em suas decisões de forma a se preparar para regulações futuras.

Há mais de 40 nações no mundo com processos de precificação do carbono. No Brasil, a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e a NDC estabelecem o compromisso voluntário de redução de emissões. Dentro desse contexto, o Ministério da Fazenda instituiu o Comitê Executivo e o Grupo de Trabalho do Projeto PMR (Partnership for Market Readiness), que busca avaliar a oportunidade e conveniência de se implementar a precificação das emissões – via imposto e/ou mercado de carbono – para auxiliar no cumprimento da NDC brasileira e também como um dos instrumentos da PNMC após 2020. No contexto do PMR, estão sendo estudados os potenciais impactos de um modelo de precificação de carbono em diferentes setores da economia brasileira. Dependendo da forma como forem conduzidas, tais políticas podem representar, por um lado, um risco sistêmico, e por outro, oportunidades para investimentos em projetos e empresas que visam menor emissão de carbono.

Assim, as políticas climáticas e a dinâmica de mercado têm levado investidores a refletir sobre o risco associado a empréstimos e investimentos em ativos físicos intensivos em carbono e à necessidade de se preparar para o potencial impacto da precificação de carbono nas empresas do setor produtivo, seus clientes.


Em 2017, nossa equipe do FGVces em parceria com a FEBRABAN desenvolveu uma pesquisa sobre precificação de carbono e como bancos e empresas têm se preparado, fazendo a gestão do risco de carbono. O relatório, em minha opinião bastante completo, está publicado aqui: https://cmsportal.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/-L04_precificac%CC%A7a%CC%83o.pdf

Esse é um tema fundamental para os gestores de empresas, bancos e investidores. O carbono já vem se tornando um driver de competitividade. Conhecer os riscos físicos associados às mudanças do clima e os riscos da transição para uma economia de baixo carbono é fundamental para os gestores modernos.