
“Poucas pessoas têm imaginação suficiente para a realidade”, frase atribuída a Goethe. Para mim essa frase resume muito bem esse interminável e indescritível ano de 2020. Está no rol de realidades que esse ano nos trouxe (mais acontecimentos tristes que felizes, infelizmente) o crescente interesse por parte dos investidores internacionais com o que acontece nos ecossistemas brasileiros. Estão todos de olho em temas como queimadas e desmatamento.
Um exemplo desse interesse crescente é esse caderno especial do Financial Times lançado hoje (08/12/2020) sobre “Brazil : The road to Sustainability”. https://www.ft.com/reports/brazil-sustainability
São seis páginas discutindo alguns dos nossos mais importantes desafios ambientais, algumas oportunidades e boas práticas: queimadas na Amazônia e no Pantanal; nossa situação no acesso a serviços de saneamento – o que o FT chamou “de desgraça nacional” (e é mesmo); o marco do saneamento; o potencial da tecnologia aplicada ao campo em reduzir problemas ambientais; a Petrobrás e a sua não crise de identidade “nós somos uma empresa de óleo”; o plástico verde da Braskem; entrevista com o vice-presidente Mourão; mineração e seus impactos ambientais; e como o setor empresarial está encarando aspectos ESG, com uma mesa redonda realizada com Marina Grossi, Walter Schalka, Ilan Goldfajn, Wesley Batista Filho e eu. Foi um prazer conversar com esses importantes porta-vozes do mundo empresarial que apostam em trajetórias de negócios mais alinhadas aos princípios da sustentabilidade.
Está claro que precisamos escolher um projeto de país, uma agenda estratégica de longo prazo que nos ajude a atingir todo o nosso potencial. Do contrário, o fundo do poço vai ficando cada vez mais fundo.