Em termos econômicos, as políticas públicas devem ser pensadas tendo em vista o bem-comum, conciliando os interesses dos indivíduos com os gerais da sociedade.
Talvez seja justo dizer os contratos sociais modernos pedem isso.
Mas o que é o “bem comum”? Trata-se de um juízo de valor. Reflete, em certa medida, preferências individuais, as informações disponíveis (que são distribuídas de maneira assimétrica), a posição na sociedade, interesses econômicos, entre outros fatores.
Por onde começar?
O filósofo John Rawls propôs o conceito do “véu da ignorância”. Jean Tirole explica o conceito:
“Suponha que você ainda não tenha nascido e, portanto, não saiba qual será o seu lugar na sociedade, quais serão seus genes ou quem serão sua família, ou mesmo em que ambiente social, étnico, religioso ou nacional você nascerá.
Agora pergunte-se: ‘Em que tipo de sociedade eu gostaria de viver, sabendo que posso ser tanto um homem quanto uma mulher, dotado de boa ou má saúde, de uma família rica ou pobre, bem ou mal educado, ateu ou religioso, uma pessoa que pode crescer em uma grande cidade ou no meio do campo, ou alguém que pode buscar realização no trabalho ou adotar um estilo de vida alternativo?’”
A elaboração de políticas públicas é sempre influenciada, no mínimo, por aspectos técnicos, sociais, políticos, econômicos, tecnológicos, legais.
Tomara que em algum lugar, ao longo desse processo, se possa incluir uma reflexão honesta sobre o bem comum, partindo do “véu da ignorância”.