
Nas discussões ESG, discutimos pouco o ‘G’. No entanto, a governança não apenas é essencial para o atingimento do ‘E’ (Ambiental) e do ‘S’ (Social), como, se falhar, pode levar a empresa à falência. Além disso, prejudica não apenas os acionistas, mas também os funcionários, fornecedores, clientes e, se a empresa estiver listada na bolsa de valores, pequenos investidores – pessoas como você e eu – que colocaram seu dinheiro duramente conquistado na promessa de futuro de um negócio.
Problemas de governança sempre existiram. Quando Berle e Means publicaram em 1932 o livro que serviu de base para a discussão econômica sobre governança, eles já estavam documentando o que observavam. Eram reflexões sistematizadas e aprofundadas sobre práticas que já existiam.
“Aqueles no controle das operações de uma empresa podem encher mais seus próprios bolsos se lucrarem às custas da empresa do que ao gerar lucros para ela.” Essa frase foi escrita durante a Grande Depressão de 1930. Passaram-se mais de 90 anos, mas, infelizmente, muitas das ideias ali expressas continuam sendo verdadeiras.
Por quê? Porque a natureza humana não mudou.
Escândalos de governança corporativa ainda nos surpreendem, resultando em perdas de bilhões e prejudicando muitas pessoas. Exemplos incluem Enron, WorldCom, Bamerindus, IRB Resseguros, Theranos e Americanas. Nesse começo de outubro, nos EUA, a FTX ocupou os holofotes devido ao que alguns consideram uma das maiores fraudes financeiras da história americana.
Em um mundo em constante evolução, em que a confiança do público é um recurso escasso e precioso, a governança corporativa permanece como a pedra fundamental que sustenta a integridade das empresas e a promessa de um futuro mais justo e próspero.