Estudo de caso em sustentabilidade: e quando o risco reputacional está no cliente?

Quando se pensa em riscos no âmbito da gestão para a sustentabilidade é comum primeiro analisar a cadeia de fornecimento. Tanto é assim que uma boa prática da gestão para a sustentabilidade é ter um processo para engajamento e acompanhamento dos fornecedores.

Mas às vezes o risco pode estar no cliente ou no produto da empresa.

Instituições financeiras estão bem familiarizadas com essa perspectiva de risco – ou seja, quando o risco está no cliente-, em função da regulação chamada “Know Your Customer” (KYC) que visa combater a lavagem de dinheiro e evitar o financiamento do terrorismo e outras práticas ilícitas. Lavagem de dinheiro é um negócio de grandes proporções e está associado ao tráfico de drogas, contrabando de produtos e tráfico de pessoas, terrorismo, entre outros crimes. A lavagem de dinheiro acontece por meio do sistema financeiro por ser global e altamente tecnológico, o que viabiliza a transferência entre contas de forma ágil. Esse tema vem sendo discutido internacionalmente desde 1950, mas ganhou força principalmente a partir dos ataques do 11 de Setembro de 2001.

Em nível internacional quem discute o KYC é chamada Financial Action Task Force (FATF) sob a OCDE, que tem uma série de recomendações para que as instituições financeiras coíbam a lavagem de dinheiro. No Brasil, há um conjunto de regulações do Banco Central do Brasil, Conselho Monetário Nacional e CVM sobre esse tema. Temos também a Lei de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/98). Resumindo, o KYC exige que as instituições financeiras cumpram uma série de requisitos e adotem medidas para obter informações sobre a identidade verdadeira de seus clientes e a origem de seu patrimônio.

Fora do setor financeiro discute-se pouco o risco de cliente na gestão para a sustentabilidade, na minha opinião. Nesse vídeo, eu discuto o caso recente de uma empresa de consultoria em que o dano reputacional foi causado pelo seu cliente, uma indústria farmacêutica.

O objetivo do vídeo é refletir sobre que aprendizados podemos tirar do caso em questão para a gestão para a sustentabilidade.