Should I stay or should I go? Trump e o Acordo de Paris.

Desde a campanha eleitoral do Presidente Trump, o tema das mudanças do clima ganhou debates acalorados (sem trocadilhos!); em especial, a permanência dos Estados Unidos no Acordo de Paris (AP). Como eu mencionei aqui, em seu “Contract with the American Voter”, o plano para os 100 primeiros dias de seu mandato, no ponto 7 ligado à agenda de proteção aos trabalhadores americanos, Trump diz que vai cancelar bilhões de pagamentos aos programas ligados às mudanças climáticas sob o guarda-chuva da ONU e usar os recursos para corrigir problemas ligados à infraestrutura de água e ambiental dos Estados Unidos.

Desde que assumiu a Casa Branca, a permanência ou não dos Estados Unidos no Acordo de Paris continua sendo bastante debatida. A princípio, a decisão seria tomada em uma reunião no dia 18 de abril, antes da partida de Trump para a reunião do G7 na Itália. Sabe-se que pessoas próximas ao Presidente – incluindo o Secretário de Estado Rex Tillerson, ex-CEO da ExxonMobil e seu genro Jared Kushner – são favoráveis à permanência dos EUA no Acordo. A reunião foi adiada. Em um tweet de 27 de maio, Trump diz que terá uma decisão final sobre Acordo na semana que vem.

O interessante é que além de pressão de pessoas próximas ao Presidente para a permanência, várias empresas e investidores têm se manifestado publicamente pró AP. No dia 26 de abril, 16 empresas (Apple, BHP, BP, DuPont, General Mills, Google, Intel, Microsoft, National Grid, Novartis, PG&E, Rio Tinto, Schneider, Shell, Unilever e Walmart) enviaram uma carta ao Presidente, pedindo a permanência no AP.  Mais de 200 investidores institucionais também enviaram uma carta ao Presidente pedindo o mesmo. Mais de 1000 empresas assinaram a iniciativa “Business Backs Low-Carbon USA”. Membros do movimento conservador americano também têm se pronunciado com propostas econômicas para lidar com a mudança do clima, como mencionei aqui.

Os EUA ratificaram o AP em setembro de 2016 e o acordo entrou em vigor em novembro do mesmo ano.  Pelas regras do AP, qualquer país precisa esperar três anos antes de requisitar a saída do Acordo e dar um ano de aviso prévio. Isso significa que mesmo que Trump decida sair do AP, muito provavelmente os EUA serão parte do Acordo pelos próximos quatro anos. Há formas de Trump escapar legitimamente a essas regras, mas o custo de transação seria altíssimo, e o custo político também. Então, tudo aponta para que caso ele decida sair do AP, não haverá impacto direto dessa decisão em seu período como Presidente. Vai ficar para o próximo Presidente. Cabe destacar que os EUA ficando no AP apenas para cumprir os regulamentos, sem dúvida enfraquece a chamada “thought leadership” dos EUA na agenda climática. Essa situação estaria, na verdade, longe do espírito de cooperação internacional desenhado pelos 197 países signatários e os 147 que ratificaram o Acordo, incluindo economias em desenvolvimento como Brasil, China, India, Mexico, entre outras.

Para saber mais:

http://edition.cnn.com/2017/05/12/politics/tillerson-climate-change-fairbanks-declaration/

https://www.scientificamerican.com/article/trumps-pick-for-secretary-of-state-backs-paris-climate-accord
https://www.washingtonpost.com/news/energy-environment/wp/2017/04/26/trump-said-he-would-cancel-paris-climate-deal-now-the-white-house-is-having-second-thoughts/?utm_term=.716a559c9d61

http://www.reuters.com/article/us-climatechange-investors-idUSKBN18315V?feedType=RSS&feedName=topNews&utm_content=buffer3c56f&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

http://lowcarbonusa.org/business

http://www.robertstavinsblog.org