O relatório sobre riscos globais do World Economic Forum

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Hoje começa o encontro anual do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF) em Davos na Suíça (de 17 a 20 de janeiro). É um encontro bem prestigiado: reúne líderes econômicos de diversos países para discutir cenários futuros e seus potenciais impactos econômicos.

O Fórum Econômico Mundial há 12 anos publica um relatório sobre os principais riscos globais e tendências que podem impactar a atividades econômicas. “Riscos globais” são eventos ou condições incertas que, caso ocorram, podem causar impacto significativo em diversos países ou indústrias nos próximos 10 anos. “Tendências” referem-se a padrões que estão em mudança e que podem contribuir para ampliar os riscos globais e/ou alterar a relação entre os diversos riscos globais. O relatório de 2017 foi elaborado em parceria com a Universidade de Cingapura, Oxford e Wharton e  é construído a partir de 745 respostas ao questionário do WEF e das próprias pesquisas do Fórum. Chama atenção que aspectos ambientais, sociais e econômicos ligados à sustentabilidade historicamente fazem parte dos top 5 riscos e tendências considerados no relatório do WEF.

Acho que o relatório do WEF é um insumo interessante quando se está trabalhando com planejamento estratégico e desenhando cenários de médio e longo prazo.

Riscos globais

De acordo com o relatório, dos 5 principais riscos globais em termos de probabilidade de ocorrência, dois são ambientais, um é social, um é tecnológico e um é geopolítico. Eventos climáticos extremos e desastres naturais foram classificados na primeira e terceira posições, respectivamente. O primeiro refere-se a enchentes, tempestades, secas etc, que levam a perdas de vidas humanas e a impactos econômicos relevantes sobre infraestrutura e propriedade. O segundo refere-se a terremotos, tsunamis e outros desastres naturais que também levam a perdas significativas, tanto de vidas humanas quanto econômicas. Ataques terroristas, migração involuntária e fraude de dados completam a lista.

Top 5 riscos globais em termos de probabilidade de ocorrência, de acordo com o WEF, 2017:

  1. Eventos climáticos extremos (risco ambiental)
  2. Migração involuntária em larga escala (risco social)
  3. Grandes desastres naturais (risco ambiental)
  4. Ataques terroristas em larga escala (risco geopolítico)
  5. Incidentes massivos de fraude e/ou roubo de dados (risco tecnológico)

Já em termos de impacto, três são ambientais, um é social (mas que é uma crise de água, ou seja, o impacto sobre a sociedade da crise de água) e um é geopolítico. Aparecem na lista (em ordem de acordo com a classificação do WEF) armas de destruição em massa, eventos climáticos extremos, crise da água, desastres naturais e falência na mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Aspectos relacionados às mudanças climáticas aparecem nos top 5 riscos do WEF desde 2011.

Top 5 riscos globais em termos de impacto, de acordo com o WEF, 2017:

  1. Armas de destruição em massa (risco geopolítico)
  2. Eventos climáticos extremos (risco ambiental)
  3. Crise da água (risco social)
  4. Migração involuntária em larga escala (risco social)
  5. Grandes desastres naturais (risco ambiental)
  6. Falência na mitigação e adaptação às mudanças climáticas (risco ambiental)

Tendências apontadas

Entre as top 5 tendências que podem afetar o cenário global, o relatório aponta:

  1. Aumento na disparidade de renda e riqueza
  2. Mudanças climáticas
  3. Aumento da polarização nas sociedades
  4. Aumento de dependência cibernética
  5. Envelhecimento populacional

Tais tendências, associadas aos riscos, podem levar a aumento de desemprego, instabilidade social,  colapso e/ou crise dos sistemas políticos, falta de água, entre outros.

O relatório destaca também tecnologias emergentes que aceleram a transição para a quarta revolução industrial. Essas tecnologias podem exacerbar os riscos identificados, em especial porque requerem avanços consideráveis de governança para potencializar seus efeitos positivos e evitar que seus efeitos negativos gerem grandes impactos sociais. Dentre as tecnologias apontadas, destacam-se:

  • Inteligência artificial e robótica: avanços – que vão desde melhorias em processos automatizados a fabricação de veículos sem motorista – habilitados por sistemas cibernéticos altamente competentes e máquinas que podem substituir os seres humanos para completar várias tarefas mais frequentemente associadas ao pensamento crítico, multitarefa e habilidades motoras finas.
  • Geoengenharia: criação e desenvolvimento de processos tecnológicos que intercedem nos sistemas geológicos e climáticos da Terra, que vão desde a recuperação de terras até a semeadura atmosférica para influenciar os padrões climáticos ou remover o dióxido de carbono;
  • Tecnologias espaciais: tecnologias que podem ser utilizadas no espaço, que aumentarão a capacidade de entidades públicas e privadas para acessar, explorar e criar novas formas de valor, como microssatélites, foguetes reutilizáveis, tecnologias óticas e de imagem, desenvolvimento de sensores, exploração de recursos, exploração espacial e desenvolvimento de habitats.

Para quem trabalha com avaliações econômico-financeiras de longo prazo e planejamento estratégico, a leitura do relatório do WEF é fundamental.

Para saber mais:

https://www.weforum.org/reports/the-global-risks-report-2017